
ADMOESTAÇÕES
(Adm) |
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| As Admoestações
são uma coleção de 28 textos curtos (só a
primeira é um pouco maior) que tem ampla presença nos manuscritos
medievais. Uma das Adm foi o primeiro texto de Francisco citado fora da
Ordem (em 1231) por um frade dominicano. Lembra-se que Francisco costumava
fazer alocuções a todos os frades nos capítulos gerais.
Algumas destas admoestações podem provir desses capítulos,
mas não todas. Do nº 1 ao 13 os temas são variados;
do 14 ao 28 formam o que se chama de “bem-aventuranças fran-ciscanas”.
Provavelmente são textos que só foram falados por São
Francisco e que foram preservados porque alguém tomou nota. É
até possível que tenha sido alguém de fora da Ordem
(pensa-se em um cisterciense secretário do Card. Hugolino) porque
usa expressões como prelado, servo de Deus, etc. que não
eram comuns no meio franciscano. As Admoestações são
um bom resumo da proposta espiritual de São Francisco. |
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| Texto
Original |
Texto
Traduzido |
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| I. DE CORPORE DOMINI |
1. O CORPO DO SENHOR |
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| 1 Dicit Dominus Jesus discipulis
suis: Ego sum via, veritas et vita; nemo venit ad Patrem nisi per me.
2 Si cognosceretis me, et Patrem meum utique cognosceretis; et amodo cog-noscetis
eum et vidistis eum. 3 Dicit ei Philippus: Domine, ostende nobis Patrem,
et sufficit nobis. 4 Dicit ei Jesus: Tanto tempore vobiscum sum et non
cognovistis me? Philippe, qui videt me, videt et Patrem (Ioa 14,6-9) meum.
5 Pater lucem habitat inaccessibilem (cfr. 1Tim 6,16), et spiritus est
Deus (Ioa 4,24), et Deum nemo vidit umquam (Ioa 1,18). 6 Ideo nonnisi
in spiritu videri potest, quia spiritus est qui vivificat; caro non prodest
quidquam (Ioa 6, 64). 7 Sed nec filius in eo, quod aequalis est Patri,
videtur ab aliquo aliter quam Pater, aliter quam Spiritus Sanctus. 8 Unde
omnes qui viderunt Dominum Jesum secundum humanitatem et non viderunt
et crediderunt secundum spiritum et divinitatem, ipsum esse verum Filium
Dei, damnati sunt; 9 ita et modo omnes qui vident sacramentum, quod sanctificatur
per verba Domini super altare per manum sacerdotis in forma panis et vini,
et non vident et credunt secundum spiritum et divinitatem, quod sit veraciter
sanctissimum corpus et sanguis Do-mini nostri Jesu Christi damnati sunt,
10 ipso altissimo attestante, qui ait: Hoc est corpus meum et sanguis
mei novi testamenti [qui pro multis effundetur] (cfr. Mar 14,22.24) et:
11 Qui manducat carnem meam et bibit sanguinem meum, habet vitam aeternam
(cfr. Ioa 6,55). 12 Unde spiritus Domini, qui habitat in fidelibus suis,
ille est qui recipit sanctissimum corpus et sanguinem Domini. 13 Omnes
alii, qui non habent de eodem spiritu et praesumunt recipere eum, iudicium
sibi manducant et bibunt (cfr. 1Cor 11,29). 14 Unde: Filii hominum, usquequo
gravi corde? (Sl 4,3). 15 Ut quid non cognoscitis veritatem et creditis
in Filium Dei (cfr. Ioa 9,35)? 16 Ecce, quotidie humiliat se, sicut quando
a regalibus sedibus (Sb 18, 15) venit in uterum Virginis; 17 quotidie
venit ad nos ipse humilis apparens; 18 quotidie descendit de sinu Patris
super altare in manibus sacerdotis. 19 Et sicut sanctis apostolis in vera
carne, ita et modo se nobis ostendit in sacro pane. 20 Et sicut ipsi intuitu
carnis suae tantum eius carnem videbant, sed ipsum Deum esse credebant
oculis spiritualibus contemplantes; 21 sic et nos videntes panem et vinum
oculis corporeis videamus et credamus firmiter, eius sanctissimum corpus
et sanguinem vivum esse et verum. 22 Et tali modo semper est Dominus cum
fidelibus suis, sicut ipse dicit: Ecce ego vobiscum sum usque ad consummationem
saeculi (cfr. Mat 28,20). |
1 Diz o Senhor Jesus a seus
discípulos: Eu sou caminho, verdade e vida; ninguém vai
ao Pai se não por mim. 2 Se conhecesses a mim, também conheceríeis
certamente meu Pai; e desde agora o conheceis e o vistes. 3 Diz-lhe Filipe:
Senhor, mostra-nos o Pai e basta para nós. 4 Diz-lhe Jesus: Tanto
tempo estou con-vosco e não me conhecestes? Filipe, quem me vê,
vê também meu Pai (Jo 14,6-9). 5 O Pai habita a luz inacessível
(cf. 1 Tm 6,16), e Deus é espírito (Jo 4,24), e a Deus nunca
ninguém viu (Jo 1,18). 6 Por isso não pode ser visto senão
em espírito, porque é o espírito que vivifica; a
carne não adianta nada (Jo 6,64). 7 Mas nem o Filho, no que é
igual ao Pai, é visto por alguém diferentemente do Pai,
diferentemente do Espírito Santo. 8 Por isso todos os que viram
o Senhor Jesus segundo a humanidade e não viram e creram segundo
o espírito e a divindade que ele era o verdadeiro Filho de Deus,
foram condenados; 9 assim também agora todos os que vêem
o sacramento que se consagra pelas palavras do Senhor sobre o altar por
mão do sacerdote na forma de pão e vinho, e não vêem
e crêem segundo o espírito e a divindade, que é verdadeiramente
o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, foram
condenados, 10 pelo testemunho do próprio Altíssimo, que
diz: Este é meu corpo e meu sangue do Novo Testamento [que será
derramado por muitos] (Mc 14,22,24) e: 11 Quem come a minha carne e bebe
o meu sangue, tem a vida eterna (cf Jo 6,55). 12 Por isso o espírito
do Senhor, que mora em seus fiéis, é quem recebe o san-tíssimo
corpo e sangue do Senhor. 13 Todos os outros, que não têm
o mesmo espírito e presumem recebê-lo, comem e bebem a própria
condenação (cfr. 1Cor 11,29). 14 Por isso: Filhos dos homens,
até quando tereis um coração pe-sado? (Sl 4,3). 15
Por que não conheceis a verdade e credes no Filho de Deus? (cfr.
Jo 9,35). 16 Eis que se humilha diariamente, como quando veio do trono
real (Sb 18, 15) ao útero da Virgem; 17 vem diariamente a nós
ele mesmo aparecendo humilde; 18 desce todos os dias do seio do Pai (cfr.
Jo 6,38; 1,18) sobre o altar nas mãos do sacerdote. 19 E como se
mostrou aos santos apóstolos em carne verdadeira, assim também
a nós agora no pão sagrado. 20 E como eles com a visão
de sua carne só viam a carne dele, mas criam que era Deus contemplando
com olhos espirituais; 21 assim também nós, vendo o pão
e o vinho com os olhos corporais, vejamos e creiamos firmemente que é
seu santíssimo corpo e sangue vivo e verdadeiro. 22 E desse modo
o Senhor está sempre com os seus fiéis, como ele mesmo diz:
Eis que estou convosco até a consumação do século
(cfr. Mt 28,20). |
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| II. DE MALO PROPRIAE
VOLUNTATIS |
2. O MAL DA VONTADE
PRÓPRIA |
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| 1 Dixit Dominus ad Adam: De
omni ligno comede, de ligno autem boni et mali non comedas (cfr. Gen 2,16-17).
2 De omni ligno paradisi poterat comedere, quia dum non venit contra obedientiam,
non peccavit. 3 Ille enim comedit de ligno scientiae boni, qui sibi suam
voluntatem appropriat et se exaltat de bonis, quae Dominus dicit et operatur
in ipso; 4 et sic per suggestionem diaboli et transgressionem mandati
factum est pomum scientiae mali. 5 Unde oportet, quod sustineat poenam.
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1 Disse o Senhor a Adão:
Come de toda árvore, mas da árvore do bem e do mal não
comas (cfr. Gn 2,16-17). 2 Podia comer de toda árvore do pa-raíso
porque, enquanto não foi contra a obediência, não
pecou. 3 Pois come da árvore da ciência do bem aquele que
se apropria de sua vontade e se exalta pelos bens que o Senhor diz e opera
nele; 4 e assim, por sugestão do diabo e por transgressão
do mandamento, tornou-se pomo da ciência do mal. 5 Por isso precisa
sofrer a pena. |
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| III. DE PERFECTA OBEDIENTIA |
3. A OBEDIÊNCIA
PERFEITA |
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| 1 Dicit Dominus in Evangelio:
Qui non renunciaverit omnibus quae possidet, non potest meus esse discipulus
(Luc 14,33); et: 2 Qui voluerit animam suam salvam facere perdet illam
(Luc 9,24). 3 Ille homo relinquit omnia, quae pos-sidet, et perdit corpus
suum, qui se ipsum totum praebet ad obedientiam, in manibus sui praelati.
4 Et quidquid facit et dicit, quod ipse sciat, quod non sit contra voluntatem
eius, dum bonum sit quod facit, vera obedientia est. 5 Et si quando subditus
videat meliora et utiliora animae suae quam ea quae sibi praelatus praecipiat,
sua voluntarie Deo sacrificet; quae autem sunt praelati, opere studeat
adimplere. 6 Nam haec est caritativa obedientia (cfr. 1Pet 1,22), quia
Deo et proximo satisfacit. 7 Si vero praelatus aliquid contra ani-mam
suam praecipiat, licet ei non obediat, tamen ipsum non dimittat. 8 Et
si ab aliquibus persecutionem inde sustinuerit, magis eos diligat propter
Deum. 9 Nam qui prius persecutionem sustinet, quam velit a suis fratribus
separari, vere permanet in perfecta obedientia, quia ponit animam suam
(cfr. Ioa 15,13) pro fratribus suis. 10 Sunt enim multi religiosi, qui
sub specie meliora videndi quam quae sui praelati praecipiunt, retro aspiciunt
(cfr. Luc 9,62) et ad vomitum (cfr. Prov 26,11; 2Pet 2,22) propriae voluntatis
redeunt; 11 hi homicidae sunt et propter mala sua exempla multas animas
perdere fa-ciunt. |
1 Diz o Senhor no Evangelho:
Quem não renunciar a tudo que possui, não pode ser meu discípulo
(Lc 14,33); e: 2 Quem quiser salvar sua alma, vai perdê-la (Lc 9,24).
3 Deixa tudo que possui e perde seu corpo o homem que se entrega inteiro
à obediência, nas mãos de seu prelado. 4 E tudo que
faz e diz, que saiba que não é contra sua vontade, se é
bom o que faz, é verdadeira obediência. 5 E se alguma vez
o súdito vê coisas melhores e mais úteis para sua
alma que as que lhe ordena o prelado, sacrifique as suas voluntariamente
a Deus, e trate de cumprir com obras as coisas que são do prelado.
6 Pois essa é a obediência caritativa (cf 1Pe 1,22), que
satisfaz a Deus e ao próximo. 7 Mas se o prelado ordenar alguma
coisa contra a sua alma, ainda que não lhe obedeça, todavia
não se separe dele. 8 E se por isso sofrer perseguição
de alguns, ame-os mais por Deus. 9 Pois o que prefere sofrer perseguição
a separar-se de seus irmãos, permanece de verdade na obediência
perfeita, porque dá sua vida (cfr. Jo 15, 13) por seus irmãos.
10 Pois há muitos religiosos que, com a desculpa de que vêem
coisas melhores do que as mandadas por seus prelados, olham para trás
(cfr. Lc 9,62) e voltam ao vômito (cfr. Pr 26,11; 2Pd 2,22) da própria
vontade; 11 estes são homicidas e, por seus maus exemplos, põem
a perder muitas almas. |
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| IV. UT NEMO APPROPRIET
SIBI PRAELATIONEM |
4. QUE NINGUÉM
SE APROPRIE DA PRELATURA |
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| 1 Non veni ministrari, sed
ministrare (cfr. Mat 20,28), dicit Dominus. 2 Illi qui sunt super alios
constituti, tantum de illa praelatione glorientur, quantum si essent in
abluendi fratrum pedes officio deputati. 3 Et quanto magis turbantur de
ablata sibi praelatione quam de pedum officio, tanto magis sibi loculos
ad periculum animae componunt. |
1 Não vim para ser
servido mas para servir (cfr. Mt 20,28), diz o Senhor. 2 Os que estão
constituídos sobre os outros, gloriem-se dessa prelatura como se
tivessem sido encarregados do ofício de lavar os pés dos
irmãos. 3 E quanto mais se perturbam por lhes tirarem a prelatura
do que por lhes tirarem o ofício de lavar pés, tanto mais
acumulam bolsas para o perigo da alma. |
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| V. UT NEMO SUPERBIAT,
SED GLORIETUR IN CRUCE DOMINI |
5. QUE NINGUÉM
SE ENSOBERBEÇA MAS SE GLORIE NA CRUZ DO SENHOR |
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| 1 Attende o homo, in quanta
excellentia posuerit te Dominus Deus, quia creavit et formavit te ad imaginem
dilecti Filii sui secundum corpus et similitudinem (cfr. Gen 1,26) secundum
spiritum. 2 Et omnes creaturae quae sub caelo sunt, secundum se serviunt,
cognoscunt et obediunt Creatori suo melius quam tu. 3 Et etiam daemones
non crucifixerunt eum sed tu cum ipsis crucifixisti eum et adhuc crucifigis
delectando in vitiis et peccatis. 4 Unde ergo potes gloriari? 5 Nam si
tantum esses subtilis et sapiens quod omnem scientiam (cfr. 1Cor 13,2)
haberes et scires interpretari omnia genera linguarum (cf 1 Cor 12,28)
et subtiliter de caelestibus rebus perscrutari, in omnibus his non potes
gloriari; 6 quia unus daemon scivit de caelestibus et modo scit de terrenis
plus quam omnes homines, licet aliquis fuerit, qui summae sapientiae cognitionem
a Domino receperit specia-lem. 7 Similiter et si esses pulchrior et ditior
omnibus et etiam si faceres mirabilia, ut daemones fugares, omnia ista
tibi sunt contraria et nihil ad te pertinet et in nil potes gloriari;
8 sed in hoc possumus gloriari in infirmitatibus (cfr. 2Cor 12, 5) nostris
et baiulare quotidie sanctam crucem (cfr. Luc 9,23; 14,27) Domini nostri
Jesu Christi. |
1 Considera, ó homem,
em que grande excelência te pôs o Senhor Deus, porque te criou
e formou à imagem de seu dileto Filho segundo o corpo e à
sua semelhança segundo o espírito (cfr. Gn 1,26). 2 E todas
as criaturas que há sob o céu, a seu modo servem, conhecem
e obedecem seu Criador melhor do que tu. 3 E mesmo os demônios não
o crucificaram mas tu com eles o crucificaste e ainda crucificas, deleitando-te
em vícios e pecados. 4 De que, então, podes gloriar-te?
5 Pois se fosses tão sutil e sábio que tivesses toda a ciência
(cfr. 1Cor 13,2) e soubesses interpretar toda espécie de línguas
(cfr. 1Cor 12,28) e investigar subtilmente sobre as coisas celestes, não
podes gloriar-te em todas essas coisas; 6 porque um só demônio
sabia as coisas do céu e ainda sabe as da terra mais que todos
os homens, ainda que houvesse algum que tivesse recebido do Senhor um
conhecimento especial de suma sabedoria. 7 Do mesmo jeito, se fosses mais
bonito e mais rico do que todos e mesmo que fizesses maravilhas, espantando
de-mônios, tudo isso te é contrário, e nada te pertence
e de nada podes gloriar-te; 8 mas disto podemos gloriar-nos: de nossas
fraquezas (cf 2Cor 12,5) e de carregar todos os dias a santa cruz de nosso
Senhor Jesus Cristo (cfr. Lc 14,27). |
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| VI. DE IMITATIONE DOMINI |
6. SOBRE A IMITAÇÃO
DO SENHOR |
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| 1 Attendamus, omnes fratres,
bonum pastorem , qui pro ovibus suis (cfr. Ioa 10,11) salvandis crucis
sus-tinuit passionem. 2 Oves Domini secutae fuerunt eum in tribulatione
et persecutione , verecundia et fame (cfr. Rom 8,35; 2Cor 11,27), in infirmitate
et tentatione et ceteris aliis; et de his receperunt a Domino vitam sempiternam.
3 Unde magna verecundia est nobis servis Dei, quod sancti fecerunt opera
et nos recitando ea volumus recipere gloriam et honorem. |
1 Consideremos, irmãos
todos, o bom pastor, que para salvar suas ovelhas sofreu a paixão
da cruz. 2 As ovelhas do Senhor seguiram-no na tribulação
e perseguição, na vergonha e na fome, na enfermidade e na
tentação e tudo o mais; e por isso receberam do Senhor a
vida sempiterna. 3 Por isso é grande vergonha para nós,
servos de Deus, que os santos fizeram as obras e nós, lendo-as,
queremos receber glória e honra. |
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| VII. UT BONA OPERATIO
SEQUATUR SCIENTIAM |
7. QUE A BOA OPERAÇÃO
SIGA À CIÊNCIA |
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| 1 Dicit apostolus: Littera
occidit, spiritus autem vivificat (2Cor 3,6). 2 Illi sunt mortui a littera
qui tantum sola verba cupiunt scire, ut sapientiores teneantur inter alios
et possint acquirere magnas divitias dantes consanguineis et amicis. 3
Et illi religiosi sunt mortui a littera, qui spiritum divinae litterae
nolunt sequi, sed solum verba magis cupiunt scire et aliis interpretari.
4 Et illi sunt vivificati a spiritu divinae litterae, qui omnem litteram,
quem sciunt et cupiunt scire, non attribuunt corpori, sed verbo et exemplo
reddunt ea altissimo Domino Deo cuius est omne bonum. |
1 Diz o apóstolo: A
letra mata, mas o espírito vivifica (2Cor 3,6). 2 São mortos
pela letra os que só desejam conhecer as palavras, para serem tidos
como mais sábios entre os outros e poderem adquirir grandes riquezas
e dá-las aos parentes e amigos. 3 E são mortos pela letra
os religiosos que não querem seguir o espírito da letra
divina mas só desejam saber mais as palavras e interpretá-las
para os outros. 4 E vivificados pelo espírito da letra divina são
aqueles que não atribuem ao corpo toda letra que sabem e desejam
saber mas por palavra e exemplo devolvem-nas ao altíssimo Senhor
Deus, de quem é todo bem. |
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| VIII. DE PECCATO INVIDIAE
VITANDO |
8. QUE O PECADO DA
INVEJA DEVE SER EVITADO |
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| 1 Ait Apostolus: Nemo potest
dicere: Dominus Jesus, nisi in Spiritu Sancto (1Cor 12,3); et: 2 Non est
qui faciat bonum, non est usque ad unum (Rom 3,12; Ps 13,3). 3 Quicumque
ergo invidet fratri suo de bono, quod Dominus dicit et facit in ipso,
pertinet ad peccatum blasphemiae, quia ipsi Altissimo invidet, qui dicit
et facit omne bonum. |
1 Diz o Apóstolo: Ninguém
pode dizer: Senhor Jesus, a não ser no Espírito Santo (1Cor
12,3); e: 2 Não há quem faça o bem, não há
um sequer (Rm 3,12). 3 Portanto, todo aquele que inveja seu irmão
pelo bem que o Senhor diz e faz nele, incorre no pecado de blasfêmia,
porque inveja o próprio Altíssimo, que diz e faz todo bem.
|
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| IX. DE DILECTIONE |
9. SOBRE O AFETO |
|
| 1 Dicit Dominus: Diligite
inimicos vestros [benefacite his qui oderunt vos, et orate pro persequentibus
et calumniantibus vos] (Mat 5, 44). 2 Ille enim veraciter diligit inimicum
suum, qui non dolet de iniuria, quam sibi facit, 3 sed de peccato animae
suae uritur propter amorem Dei. 4 Et ostendat ei ex ope-ribus (cfr. Iac
2,18) dilectionem. |
1 Diz o Senhor: Amai os vossos
inimigos [fazei o bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos perseguem
e caluniam] (Mt 5,44). 2 Pois ama de verdade seu inimigo quem não
se dói pela injúria, que o outro lhe faz, 3 mas se abrasa
pelo amor de Deus por causa do pecado de sua alma. 4 E lhe demonstre afeto
por obras. |
|
| CAP. X. DE CASTIGATIONE
CORPORIS |
10. SOBRE O CASTIGO
DO CORPO |
|
| 1 Multi sunt, qui dum peccant
vel iniu-riam recipiunt, saepe inculpant inimicum vel proximum. 2 Sed
non est ita: quia unusquisque in sua potestate habet inimicum, videlicet
corpus, per quod peccat. 3 Unde beatus ille servus (Mat 24,46), qui talem
inimicum tradi-tum in sua potestate semper captum tenuerit et sapienter
se ab ipso custodierit; 4 quia, dum hoc fecerit, nullus alius inimicus
visibilis vel invisibilis ei nocere poterit. |
1 Há muitos que quando
pecam ou recebem uma injúria, muitas vezes acusam o inimigo ou
o próximo. 2 Mas não é assim: porque cada um tem
em seu poder o inimigo, isto é, o corpo, pelo qual peca. 3 Por
isso, bem-aventurado é o servo (Mt 24,46) que sempre mantiver preso
em seu poder tal inimigo e sabiamente guardar-se dele; 4 porque, enquanto
fizer isso, nenhum outro inimigo visível ou invisível poderá
prejudicá-lo. |
|
| XI. UT NEMO CORRUMPATUR
MALO ALTERIUS |
11. QUE NINGUÉM
SE CORROMPA PELO MAL DE OUTRO |
|
| 1 Servo dei nulla displicere
debet praeter peccatum. 2 Et quocumque modo aliqua persona peccaret, et
propter hoc servus Dei non ex caritate turbaretur et irasceretur, thesaurizat
sibi (cf. Rom 2,5) culpam. 3 Ille servus Dei, qui non irascitur neque
conturbat se pro aliquo recte vivit sine proprio. 4 Et beatus est, qui
non remanet sibi aliquid reddens quae sunt caesaris caesari, et quae sunt
Dei Deo (Mat 22,21). |
1 Nada deve desagradar ao
servo de Deus senão o pecado. 2 E se alguma pessoa pecar de qualquer
modo, e por isso, e não por caridade, o servo de Deus se perturbar
e encolerizar, entesoura para si a culpa (cf Rm 2, 5). 3 O servo de Deus
que não se ira nem se perturba por coisa alguma vive retamente
sem próprio. 4 E bem aventurado é aquele que não
guarda nada para si, dando o que é de César a César
e o que é de Deus a Deus (Mt 22,21). |
|
| XII. DE COGNOSCENDO
SPIRITU DOMINI |
12. ESPÍRITO
DO SENHOR QUE DEVE SER CONHECIDO |
|
| 1 Sic potest cognosci servus
Dei, si habet de spiritu Domini: 2 cum Dominus operaretur per ipsum aliquod
bonum, si caro eius non inde se exaltaret, quia semper est contraria omni
bono, 3 sed si magis ante oculos se haberet viliorem et omnibus aliis
hominibus minorem se existimaret. |
1 Assim pode conhecer o servo
de Deus se tem o espírito do Senhor: 2 quando o Senhor fizer através
dele algum bem, se sua carne não se exaltar por isso, porque é
sempre contrária a todo bem, 3 mas se se tiver ainda mais diante
dos olhos por mais vil e se estimar como menor do que os outros homens.
|
|
| XIII. DE PATIENTIA |
13. SOBRE A PACIÊNCIA |
|
| 1 Beati pacifici, quoniam
filii Dei vocabuntur (Mat 5,9). Non potest cognoscere servus Dei, quantam
habeat patientiam et humilitatem in se, dum satisfactum est sibi. 2 Cum
autem venerit tempus, quod illi qui deberent sibi satisfacere, faciunt
sibi contrarium, quantam ibi patientiam et humilitatem tantam habet et
non plus. |
1 Bem-aventurados os pacíficos,
porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). O servo de Deus
não pode saber quanta paciência e humildade tem em si, enquanto
tudo acontece como ele quer. 2 Mas quando vier o tempo em que os que lhe
deveriam dar prazer fizerem o contrário, a paciência e humidlade
que tiver nessa ocasião é tudo que tem e nada mais. |
|
| XIV. DE PAUPERTATE
SPIRITUS |
14. SOBRE A POBREZA
DE ESPÍRITO |
|
| 1 Beati pauperes spiritu,
quoniam ipsorum est regnum caelorum (Mat 5, 3). 2 Multi sunt, qui orationibus
et officiis insistentes multas abstinentias et afflictiones in suis corporibus
faciunt, 3 sed solo verbo, quod videtur esse iniuria suorum corporum vel
de aliqua re, quae sibi auferretur scandalizati continuo (cfr. Mat 13,21)
perturbantur. 4 Hi non sunt pauperes spiritu; quia qui vere pauper est
spiritu, se ipsum odit et eos diligit qui eum percutiunt in maxilla (cfr.
Mat 5,39). |
1 Bem-aventurados os pobres
de espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt
5,3). 2 Há muitos que perseveram nas suas orações
e trabalhos, fazendo muitas abstinências e suportando aflições
em seus corpos. 3 Mas por uma só palavra que parecer injúria
para o seu próprio eu, ou por alguma coisa que tirarem deles, logo
se perturbam, escandalizados. 4 Esses não são pobres de
espírito; por-que o verdadeiro pobre de espírito odeia a
si mesmo e ama os que batem no seu rosto (cfr. Mt 5,39). |
|
| XV. DE PACE |
15. SOBRE A PAZ |
|
| 1 Beati pacifici quoniam filii
Dei vocabuntur (Mat 5, 9). 2 Illi sunt vere pacifici qui de omnibus, quae
in hoc saeculo pati-untur, propter amorem Domini nostri Jesu Christi in
animo et corpore pacem servant. |
1 Bem-aventurados os pacíficos,
porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,6). 2 Verdadeiramente
pacíficos são aqueles que, com todas as coisas que sofrem
neste mundo, por amor de nosso Senhor Jesus Cristo guardam a paz na alma
e no corpo. |
|
| XVI. DE MUNDITIA CORDIS |
16. SOBRE A LIMPEZA
DO CORAÇÃO |
|
| 1 Beati mundo corde, quoniam
ipsi Deum videbunt (Mt 5, 8). 2 Vere mundo corde sunt qui terrena despiciunt,
caelestia quaerunt et semper adorare et videre Dominum Deum vivum et verum
mundo corde et animo non desistunt. |
1 Bem-aventurados os limpos
de coração, porque eles verão a Deus (Mt 5,8). 2
São verdadeiramente limpos de coração os que desprezam
as coisas terrenas, buscam as celestiais e não deixam de adorar
e ver sempre o Senhor Deus vivo e verdadeiro, com coração
e alma limpa. |
|
| XVII. DE SERVO DEI
HUMILI |
17. SOBRE O SERVO DE
DEUS HUMILDE |
|
| 1 Beatus ille servus (Mat
24, 46), qui non magis se exaltat de bono quod Dominus dicit et operatur
per ipsum, quam quod dicit et operatur per alium. 2 Peccat homo, qui magis
vult recipere a proximo suo, quam non vult dare de se Domino Deo. |
1 Bem-aventurado o servo (Mt
24,46) que não se exalta mais por causa do bem que o Senhor diz
e faz através dele do que pelo que diz e faz através de
outro. 2 Peca o homem que mais quer receber do seu próximo o que
não quer dar de si ao Senhor Deus. |
|
| XVIII. DE COMPASSIONE
PROXIMI |
18. SOBRE A COMPAIXÃO
DO PRÓXIMO |
|
| 1 Beatus homo, qui sustinet
proximum suum secundum suam fragilitatem in eo, quod vellet sustineri
ab ipso, si in consimili casu esset. 2 Beatus servus, qui omnia bona reddit
Domino Deo (cfr. Tob 13,12), quia qui sibi aliquid retinuerit abscondit
in se pecuniam Domini Dei sui (Mat 25,18) et quod putabat habere, auferetur
ab eo (Luc 8,18). |
1 Bem-aventurado o homem que
su-porta o próximo segundo a sua fragilidade naquilo em que gostaria
de ser suportado por ele, se o seu caso fosse parecido. 2 Bem-aventurado
o servo que devolve todos os bens ao Senhor, porque quem guarda alguma
coisa para si esconde em si o dinheiro do Senhor seu Deus (Mt 25,18) e
o que julgava ter, vai ser tirado dele (Lc 8,18). |
|
| XIX. DE HUMILI SERVO
DEI |
19. SOBRE O SERVO DE
DEUS HUMILDE |
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| 1 Beatus servus, qui non tenet
se meliorem, quando magnificatur et exaltatur ab hominibus, sicuti quando
tenetur vilis, simplex et despectus 2 quia quantum est homo coram Deo,
tantum est et non plus. 3 Vae illi religioso, qui ab aliis positus est
in alto et per suam voluntatem non vult descendere. 4 Et beatus ille servus
(Mat 24, 46), qui non per suam voluntatem ponitur in alto et semper desiderat
esse sub pedibus aliorum. |
1 Bem-aventurado o servo que
não se tem por melhor quando é engrandecido e exaltado pelos
homens, do que quando é tido por vil, simples e desprezado, 2 porque
quanto é o homem diante de Deus, tanto é e não mais.
3 Ai do religioso que foi posto no alto pelos outros e por sua vontade
não quer descer! 4 E bem-aventurado o servo (Mt 24,4) que não
é posto no alto por sua vontade e sempre deseja estar aos pés
dos outros. |
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| XX. DE BONO ET VANO
RELIGIOSO |
20. SOBRE O RELIGIOSO
BOM E O VÃO |
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| 1 Beatus ille religiosus,
qui non habet iucunditatem et laetitiam nisi in sanctissimis eloquiis
et operibus Domini 2 et cum his producit hominem ad amorem Dei cum gaudio
et laetitia (cfr. Ps 50,10). 3 Vae illi religioso, qui delectat se in
verbis otiosis et vanis et cum his producit hominem ad risum. |
1 Bem-aventurado é
aquele religioso que não tem prazer e alegria a não ser
nas santíssimas palavras e obras do Senhor 2 e com elas leva o
homem ao amor de Deus com gozo e alegria (cfr. Sl 50,10). 3 Ai do religioso
que se deleita em palavras ociosas e vãs e com elas leva o homem
ao riso. |
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| XXI. DE INANI ET LOQUACI
RELIGIOSO |
21. SOBRE O RELIGIOSO
VAZIO E FALADOR |
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| 1 Beatus servus, qui quando
loquitur, sub specie mercedis omnia sua non mani-festat et non est velox
ad loquendum (cfr. Prov 29,20), sed sapienter providet, quae debet loqui
et respondere. 2 Vae illi religioso, qui bona, quae Dominus sibi ostendit,
non retinet in corde suo (Lc 2,19-51) et aliis non ostendit per operationem,
sed sub specie mercedis magis hominibus verbis cupit ostendere. 3 Ip-se
recipit mercedem suam (cfr. Mat 6,2; 6,16) et audientes parum fructum
reportant. |
1 Bem-aventurado o servo que,
quando fala, não manifesta tudo a seu respeito procurando recompensa,
nem é precipitado para falar (Pr 29,20), mas prevê sabiamente
o que tem que falar e responder. 2 Ai do religioso que não sabe
guardar em seu coração os bens que o Senhor lhe mostra (Lc
2,19-51) e em vez de mostrá-los aos outros por obras, quer mostrá-los
às pessoas com palavras, visando recompensa! 3 Ele recebe sua recompen-sa
(cf Mt 6,2;6,16) e os ouvintes obtêm pouco fruto. |
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| XXII. DE CORRECTIONE |
22. SOBRE A CORREÇÃO |
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| 1 Beatus servus, qui disciplinam,
accu-sationem et reprehensionem ita patienter ab aliquo sustineret sicut
a semetipso. 2 Beatus servus, qui reprehensus benigne acquiescit, verecunde
obtemperat, humiliter confitetur et libenter satisfacit. 3 Beatus servus,
qui non est velox ad se excusandum et humiliter sustinet verecundiam et
reprehensionem de peccato, ubi non commisit culpam. |
1 Bem-aventurado o servo que
recebe repreensão, acusação e castigo tão
pacientemente de outro co-mo se fosse de si mesmo. 2 Bem-aventurado o
servo que, repreendido, aceita com bondade, obedece confuso, confessa-se
humildemente e satisfaz de boa vontade. 3 Bem-aventurado o servo que não
é rápido para se desculpar e suporta humildemente a vergonha
e a repreensão pelo pecado, quando não cometeu culpa. |
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| XXIII. DE HUMILITATE |
23. SOBRE A HUMILDADE |
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| 1 Beatus servus, qui ita inventus
est humilis inter subditos suos, sicuti quando esset inter dominos suos.
2 Beatus servus, qui semper permanet sub virga correctionis. 3 Fidelis
et prudens servus est (cfr. Mat 24,45), qui in omnibus suis offensis non
tardat interius punire per contritionem et exterius per confessionem et
operis satisfactionem. |
1 Bem-aventurado o servo que
é tão humilde entre os seus súditos como se estivesse
entre os seus senhores. 2 Bem-aventurado o servo que permanece sempre
sob a vara da correção. 3 Fiel e prudente é o servo
(cfr. Mt 24, 45), que em toda culpa que comete não demora para
punir-se interiorrnente pela contrição e exteriormente pela
confissão, satisfazendo com obras. |
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| XXIV. DE VERA DILECTIONE |
24. SOBRE O AFETO VERDADEIRO |
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| 1 Beatus servus, qui tantum
diligeret fratrem suum, quando est infirmus, quod non potest ei satisfacere,
quantum quando est sanus, qui potest ei satisfacere. |
1 Bem-aventurado o servo que
ama o seu irmão tanto quando está doente, e não lhe
pode dar satisfação, como quando está com saúde,
e pode ajudá-lo. |
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| XXV. ITEM DE EODEM |
25. OUTRA VEZ SOBRE
O MESMO ASSUNTO |
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| 1 Beatus servus, qui tantum
diligeret et timeret fratrem suum, cum esset longe ab ipso, sicuti quando
esset cum eo, et non diceret aliquid post ipsum, quod cum caritate non
posset dicere coram ipso. |
1 Bem-aventurado o servo que
ama e respeita seu irmão quando ele está longe do mesmo
jeito que quando ele está perto, e não diz nada por trás
dele, que não possa dizer com caridade na sua frente. |
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| XXVI. UT SERVI DEI
HONORENT CLERICOS |
26. QUE OS SERVOS DE
DEUS HONREM OS CLÉRIGOS |
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| 1 Beatus servus, qui portat
fidem in clericis, qui vivunt recte secundum formam Ecclesiae Romanae.
2 Et vae illis qui ipsos despiciunt licet enim sint peccatores, tamen
nullus debet eos iudicare, quia ipse solus Dominus reservat sibi ipsos
ad iudicandum. 3 Nam quantum est maior administratio eorum, quam habent
de sanctissimo corpore et sanguine Domini nostri Jesu Christi, quod ipsi
recipiunt et ipsi soli aliis ministrant, tantum plus peccatum habent,
qui peccant in ipsis, quam in omnibus aliis hominibus istius mundi. |
1 Bem-aventurado o servo que
tem fé nos clérigos que vivem retamente segundo a forma
da Igreja Romana. 2 E ai daqueles que os desprezam pois, mesmo que sejam
pecadores, ninguém deve julgá-los, porque só o próprio
Senhor reser-vou o direito de os julgar. 3 Pois como é maior o
ministério a eles confiado do santíssimo corpo e sangue
do Senhor nosso Jesus Cristo, que eles recebem e só eles administram
aos outros, tanto maior pecado têm os que pecam contra eles, mais
do que contra todas as outras pessoas deste mundo. |
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| XXVII. DE VIRTUTE EFFUGANTE
VITIA |
27. SOBRE A VIRTUDE
QUE AFUGENTE OS VÍCIOS |
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| 1 Ubi caritas est et sapientia,
ibi nec timor (cfr. 1Ioa 4,18) nec ignorantia. 2 Ubi est patientia et
humilitas, ibi nec ira nec perturbatio. 3 Ubi est paupertas cum laetitia,
ibi nec cupiditas nec avaritia. 4 Ubi est quies et meditatio, ibi neque
sollicitudo neque vagatio. 5 Ubi est timor Domini ad atrium suum custodiendum
(cfr. Luc 11, 21), ibi inimicus non potest habere locum ad ingrediendum.
6 Ubi est misericordia et discretio, ibi nec superfluitas nec induratio.
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1 Onde há caridade
e sabedoria, aí não há temor nem ignorância.
2 Onde há paciência e humildade, aí não há
ira nem perturbação. 3 Onde há pobreza com alegria,
aí não há cobiça nem avareza. 4 Onde há
quietude e meditação, aí não há solicitude
nem distração. 5 Onde há temor do Senhor guardando
a porta, aí o inimigo não acha jeito de entrar. 6 Onde há
misericórdia e discrição, aí não há
superficialidade nem endurecimento. |
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| XXVIII. DE ABSCONDENDO
BONO NE PERDATUR |
28. QUE SE DEVE ESCONDER
O BEM PARA NÃO O PERDER |
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| 1Beatus servus, qui thesaurizat
in caelo (cfr. Mat 6,20) bona, quae Dominus sibi ostendit et sub specie
mercedis non cupit manifestare hominibus, 2 quia ipse altissimus manifestabit
opera eius quibuscumque placuerit. 3 Beatus servus, qui secreta Domini
observat in corde suo (cfr. Luc 2,19,51). |
1 Bem-aventurado o servo que
entesoura no céu (Mt 6,20) os bens que o Senhor lhe mostra e que
não quer manifestá-los aos homens para receber recompensa,
2 porque o próprio Altíssimo manifestará suas obras
a quem lhe agradar. 3 Bem-aventurado o servo que guarda os segredos do
Senhor em seu coração (cfr. Lc 2,19. 51). |
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| Notas Adm 1 - 3 Quem foi esse Filipe. 2 Se me conhecêsseis. |