
REGRA
BULADA (rb) |
|||||
| Damos-lhe esse nome porque foi aprovada
pela bula “Solet annuere” de Honório III (1223). Nunca
houve dúvidas quanto à autenticidade nem quanto ao texto
desta Regra. São numerosíssimos os manuscritos medievais
que a trazem, mas nem precisamos deles: temos o pergaminho original da
bula, que inclui a Regra, e está guardado em Assis (com muitas
fotocópias modernas espalhadas por nossos conventos). Nos arquivos
do Vaticano também ficou uma cópia, com pequenas diferenças
devidas a falhas dos amanuenses. É a Forma de Vida que vale deste
1223 para todos os Frades Menores e, por isso, é amplamente conhecida
por todos os franciscanos, que a sabem de cor. |
|||||
| Texto
Original |
Texto
Traduzido |
|
| Caput I In nomine
Domini! Incipit vita Minorum Fratrum |
Cap. I Em nome do Senhor! Começa a
vida dos Frades Menores |
|
| 1 Regula et vita Minorum Fratrum haec est, scilicet Domini nostri Jesu Christi sanctum Evangelium observare vivendo in obedientia, sine proprio et in castitate. 2 Frater Franciscus promittit obedientiam et reverentiam domino papae Honorio ac successoribus suis canonice intrantibus et Ecclesiae Romanae. 3 Et alii fra-tres teneantur fratri Francisco et eius suc-cessoribus obedire. |
1 A Regra e vida dos Frades Menores é esta,
a saber: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo vivendo
em obediência, sem próprio e em castidade. 2 Frei Francisco
promete obediência e reverência ao senhor papa Honório
e a seus sucessores canonicamente eleitos e à Igreja Romana. 3
E os outros frades estejam obrigados a obedecer a Frei Francisco e a seus
sucessores. |
|
Cap. II De his qui volunt vitam istam accipere,
et qualiter recipi debeant |
Cap. II Sobre os que querem receber esta vida
e como devem ser recebidos |
|
1 Si qui voluerint hanc vitam accipere et venerint
ad fratres nos-tros, mittant eos ad suos ministros provinciales, quibus
solum-modo et non aliis recipiendi fratres licentia concedatur. 2 Ministri
vero diligenter examinent eos de fide catholica et ecclesiasticis sacra-mentis.
3 Et si haec omnia credant et velint ea fideliter confiteri et usque in
finem firmiter observare 4 et uxores non habent vel, si habent, et iam
monasterium intra-verint uxores vel, licentiam eis dederint aucto-ritate
dioecesani episcopi, voto continen-tiae iam emisso, et illius sint aetatis
uxo-res, quod non possit de eis oriri suspicio, 5 dicant illis verbum
sancti Evan-gelii (cf Mt 19,21 par), quod vadant et vendant om- nia sua
et ea studeant pauperibus erogare. 6 Quod si facere non potuerint, sufficit
eis bona voluntas. 7 Et caveant fratres et eorum ministri, ne solliciti
sint de rebus suis temporalibus, ut libere faciant de rebus suis, quidquid
Dominus inspiraverit eis. 8 Si tamen con-silium requiratur, licentiam
habeant mi-nistri mit-tendi eos ad aliquos Deum ti-mentes, quorum consilio
bona sua paupe-ribus erogentur. 9 Postea concedant eis pannos proba-tionis,
videlicet duas tunicas sine caputio et cingulum, et braccas et capa-ronem
us-que ad cingulum, 10 nisi eisdem ministris aliud secundum Deum aliquando
videa-tur. 11 Finito vero anno probationis, re-cipiantur ad obedientiam
pro-mittentes vi-tam istam semper et regulam observare. 12 Et nullo modo
licebit eis de ista reli-gione exire iuxta manda-tum domini pa-pae, 13
quia secundum sanctum Evange-lium nemo mittens manum ad aratrum et aspiciens
retro aptus est regno Dei (Lc 9,62). 14 Et illi qui iam promiserunt obedien-tiam
habeant unam tunicam cum caputio et aliam sine caputio qui voluerint habere.
15 Et qui necessitate coguntur possint por-tare calciamenta. 16 Et fratres
vestimentis vilibus indu-antur et possint ea repeciare de saccis et aliis
peciis cum benedictione Dei. 17 Quos moneo et exhortor, ne despi-ciant
neque iudicent homi-nes, quos vident mollibus vestimentis et coloratis
indutos, uti cibis et potibus delicatis, sed magis u-nusquisque iudicet
et despiciat semet-ipsum. |
1 Se alguns quiserem receber esta vida e vierem aos
nosso frades, mandem-nos aos seus ministros provinciais, aos quais somente
e não a outros se conceda a licença de receber frades. 2
Mas os ministros examinem-nos diligentemente sobre a fé católica
e os sacra-mentos da Igreja. 3 E se crerem em todas essas coisas e as
quiserem confessar fielmente e observar firmemente até o fim 4
e não têm mulheres ou, se as têm, e já entraram
as mulheres em um mosteiro ou lhes deram licença com autorização
do bispo dioce-sano, emitido já o voto de continência, e
que sejam as mulheres daquela idade que delas não possa originar-se
suspeita, 5 di-gam-lhes a palavra do santo Evangelho (cfr. Mt 19,21, pa-r.)
que vão e vendam todas suas coisas e procurem distribuí-las
aos pobres. 6 O que, se não puderem fazer, basta-lhes a boa vontade.
7 E guardem-se os frades e seus minis-tros de serem solícitos por
suas coisas tem-porais, para que façam livremente de suas coisas
tudo que o Senhor lhes inspirar. 8 Contudo, se se precisar de conselho,
te-nham licença os ministros de enviá-los a alguns temerosos
de Deus, com cujo con-se-lho seus bens sejam dados aos po-bres. 9 Depois
concedam-lhes os panos da provação, a saber, duas túnicas
sem capuz e o cíngulo, e bragas e um caparão até
o cíngulo, 10 a não ser que aos mesmos mi-nis-tros alguma
vez pareça melhor outra coisa, segundo Deus. 11 Mas, acabado o
ano da provação, se-jam recebidos na obediência, prometendo
observar sempre esta vida e regra. 12 E de nenhum modo lhes será
lícito sair desta religião, conforme o mandato do senhor
Papa, 13 porque, segundo o santo Evangelho, ninguém que põe
a mão no arado e olha para trás é apto para o reino
de Deus (Lc 9,62). 14 E os que já prometeram obediência tenham
uma túnica com capuz e outra sem capuz, os que quiserem ter. 15
E os que são forçados por necessida-de possam levar calçado.
16 E todos os frades vistam-se de rou-pas vis e possam remendá-las
com sacos e outros retalhos com a bênção de Deus.
17 Os quais admoesto e exorto a que não desprezem nem julguem os
homens que virem vestidos com roupas finas e coloridas, usando comidas
e bebidas deli-cadas, mas antes julgue e despreze cada um a si mesmo.
|
|
Cap. III De divino officio et ieiunio, et
quomodo fratres debeant ire per mundum |
Cap. III Do ofício divino e do jejum,
e como os frades devem ir pelo mundo |
|
1 Clerici faciant divinum officium se-cundum ordinem
sanctae Romanae Eccle-siae excepto psalterio, 2 ex quo habere po-terunt
breviaria. 3 Laici dicant viginti qua-tuor Pater noster pro matutino,
pro laude quinque, pro prima, tertia, sexta, nona, pro qualibet is-tarum
septem, pro vesperis au-tem duode-cim, pro completorio septem; 4 et orent
pro defunctis. 5 Et ieiunent a festo Omnium Sancto-rum usque ad Nativitatem
Domini. 6 Sanc-tam vero quadragesimam, quae in-cipit ab Epiphania usque
ad continuos quadraginta dies, quam Dominus suo sancto ieiu-nio consecravit
(cf Mt 4,2), qui voluntarie eam ieiunant be-nedicti sint a Domino, et
qui nolunt non sint astricti. 7 Sed aliam usque ad Resurrectionem Domi-ni
ieiunent. 8 Aliis autem temporibus non teneantur nisi sexta feria ieiunare.
9 Tempore vero manifestae necessitatis non teneantur fra-tres ie-iunio
corporali. 10 Consulo vero, moneo et exhortor fratres meos in Domino Jesu
Christo, ut quando vadunt per mundum, non litigent neque contendant verbis
(cf 2Tim 2,14), nec alios iudicent; 11 sed sint mites, pacifici et modesti,
mansueti et humiles, ho-neste loquentes omnibus, sicut decet. 12 Et non
debeant equitare, nisi mani-festa necessitate vel infirmi-tate cogantur.
13 In quamcumque domum intraverint, primum dicant: Pax huic domui (cf
Lc 10,5). 14 Et secundum sanctum Evange-lium de omnibus cibis, qui appo-nuntur
eis, liceat manducare (cf Lc 10,8). |
1 Os clérigos rezem o ofício divino
se-gundo a ordenação da Igreja Romana, exceto o saltério,
2 pelo que poderão ter breviários. 3 Os leigos digam vinte
e quatro Pai-nosso por matinas, por laudes cinco, por prima, terça,
sexta, noa, por cada uma destas sete, pelas vésperas porém
doze, pelas completas sete; 4 e rezem pelos de-funtos. 5 E jejuem desde
a festa de Todos os Santos até o Natal do Senhor. 6 Mas a santa
quaresma que começa na Epifania até os quarenta dias contínuos,
que o Senhor consagrou por seu santo jejum (cfr. Mt 4,2), os que voluntariamente
a jejuam sejam abençoados pelo Senhor, e os que não qui-serem
não sejam obrigados. 7 Mas jejuem a outra, até a Ressurreição
do Senhor. 8 Mas em outros tempos não tenham que jejuar, senão
na sexta-feira. 9 Mas em tempo de manifesta necessidade não este-jam
obrigados os frades ao jejum cor-poral. 10 Aconselho, porém, admoesto
e exor-to meus frades no Senhor Jesus Cristo que, quando vão pelo
mundo, não litiguem nem contendam com palavras (cfr. 2Tm 2,14),
nem julguem os outros; 11 mas se-jam amáveis, pacíficos
e modestos, man-sos e humildes, falando a todos honesta-mente, como convém.
12 E não devem cavalgar, senão obriga-dos por manifesta
necessidade ou doença. 13 Em qualquer casa em que entrem, digam
primeiro: Paz a esta casa (cfr. Lc 10,5). 14 E segundo o santo Evangelho,
seja licito comer de todos os alimentos que lhes servirem (cfr. Lc 10,8).
|
|
Cap. IV Quod fratres non recipiant pecuniam |
Cap. IV Que os frades não recebam pecúnia |
|
1 Praecipio firmiter fratribus universis, ut nullo
modo denarios vel pecuniam reci-piant per se vel per interpositam perso-nam.
2 Tamen pro necessitatibus infirmo-rum et aliis fratribus induen-dis,
per amicos spirituales, ministri tantum et custodes sollici-tam curam
gerant secundum loca et tempora et frigidas regio-nes, sicut neces-sitati
viderint expedire; 3 eo semper salvo, ut, sicut dictum est, denarios vel
pecuniam recipiant. |
1 Mando firmemente a todos os frades que de nenhum
modo recebam dinheiro ou pecúnia por si ou por intermediário.
2 Mas, para as necessidades dos enfermos e para vestir os outros frades,
os ministros apenas e os custódios, por meio de amigos espirituais,
tenham solícito cuidado, se-gundo os lugares e tempos e frias regiões,
como lhes parecer servir à necessidade; 3 sempre salvo, como foi
dito, que não rece-bam dinheiro ou pecúnia. |
|
Cap. V De modo laborandi |
Cap. V Do modo de trabalhar |
|
1 Fratres illi, quibus gratiam dedit Do-minus laborandi,
laborent fideliter et devote, 2 ita quod, excluso otio animae ini-mico,
sanctae orationis et de-votionis spi-ritum non extinguant, cui debent
cetera temporalia deservire. 3 De mercede vero laboris pro se et suis
fratribus corporis ne-cessaria recipiant praeter denarios vel pecuniam
et hoc hu-mi-liter, 4 icut decet servos Dei et pau-pertatis sanctissimae
sectatores. |
1 Os frades a quem o Senhor deu a graça de
trabalhar, trabalhem fiel e devo-tamente, 2 de modo que, afastando o ócio
inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração
e devoção, ao qual as ou-tras coisas temporais devem servir.
3 Como mercê do trabalho recebam para si e seus irmãos o
necessário para o corpo, menos dinheiro ou pecúnia, e isso
humildemente, 4 como convém a servos de Deus e seguidores da santíssima
po-breza. |
|
Cap. VI Quod nihil approprient sibi fratres,
et de eleemosyna petenda et de fratribus infirmis |
Cap. VI Que de nada se apropriem os frades,
do pedir esmolas e dos frades enfermos |
|
1 Fratres nihil sibi approprient nec domum nec locum
nec aliquam rem. 2 Et tamquam peregrini et advenae (cf 1Petr 2,11) in
hoc saeculo in paupertate et humilitate Domino famulantes vadant pro eleemosyna
confidenter, 3 nec oportet eos verecundari, quia Dominus pro nobis se
fecit pauperem in hoc mundo (cf 2Cor 8,9). 4 Haec est illa celsitudo altissimae
pau-pertatis, quae vos, carissi-mos fratres meos, heredes et reges regni
caelorum instituit, pauperes rebus fecit, virtutibus sublimavit (cf Jac
2, 5). 5 Haec sit portio vestra, quae perducit in terram viventium (cf
Ps 141, 6). 6 Cui, dilectissimi fratres, totaliter in-haerentes nihil
aliud pro nomine Domini nostri Jesu Christi in perpetuum sub caelo ha-bere
velitis. 7 Et, ubicumque sunt et se invenerint fratres, ostendant se do-mesticos
invicem inter se. 8 Et secure manifestet unus alteri ne-cessitatem suam,
quia, si mater nutrit et diligit filium suum (cf 1 Thess 2,7) car-nalem,
quanto diligentius debet quis di-ligere et nutrire fratrem suum spiri-tualem?
9 Et, si quis eorum in infirmitate ceci-derit, alii fratres debent ei
servire, sicut vellent sibi serviri (cf Mt 7, 12). |
1Os frades de nada se apropriem, nem casa, nem lugar,
nem coisa alguma. 2 E como peregrinos e forasteiros (cfr. 1Pd 2,11) neste
século, servindo ao Se-nhor em pobreza e humildade, vão
por es-mola confiadamente, 3 e não devem enver-gonhar-se, porque
o Senhor se fez pobre por nós neste mundo (cfr. 2Cor 8,9). 4 Esta
é aquela eminência da altíssima pobreza que vos constituiu,
caríssimos irmãos meus, herdeiros e reis do reino dos céus,
vos fez pobres de coisas e sublimou em virtudes (cfr. Tg 2,5). 5 Seja
esta a vossa porção, que leva à terra dos viventes
(cfr. Sl 141,6). 6 À qual, prendendo-vos totalmente, nada mais
queirais possuir para sempre embaixo do céu, pelo nome de nosso
Senhor Jesus Cristo. 7 E, onde quer que estão e se encon-trarem
os frades, mostrem-se familiares mutuamente entre si. 8 E com segurança
manifeste um ao outro sua necessidade, porque, se a mãe ama e nutre
o seu filho (cfr. 1Ts 2,7) carnal, quanto mais diligen-temente deve cada
um amar e nutrir seu irmão espiritual? 9 E se algum deles cair
na doença, os outros frades devem servi-lo como quere-riam ser
servidos (cfr. Mt 7,12). |
|
Caput VII De poenitentia ratribus peccantibus
imponenda |
Cap. VII Da penitência a impor-se aos
frades que pecam |
|
1 Si qui fratrum, instigante inimico, mortaliter
peccaverint, pro illis peccatis, de quibus ordinatum fuerit inter fratres,
ut recur-ratur ad solos ministros provin-ciales, teneantur praedicti fra-tres
ad eos recurrere quam citius poterint, sine mora. 2 Ipsi vero ministri,
si presbyteri sunt, cum misericordia iniun-gant illis poeniten-tiam, si
vero presbyteri non sunt, iniungi fa-ciant per alios sacerdotes ordinis,
sicut eis secundum Deum melius videtur expe-dire. 3 Et cavere debent,
ne irascantur et con-turbentur propter pecca-tum alicuius, quia ira et
conturbatio in se et in aliis impediunt caritatem. |
1 Se alguns dos frades, instigando o inimigo, pecarem
mortalmente, naqueles pecados dos quais foi ordenado entre os frades que
se recorra só aos ministros pro-vinciais, tenham os preditos frades
que re-correr a eles, o mais depressa que pude-rem, sem demora. 2 Os próprios
ministros, se são presbí-teros, imponham-lhes penitência
com mi-sericórdia; mas, se não forem presbí-teros,
façam que se lhes imponha por ou-tros sacerdotes da Ordem, como
lhes pa-recer melhor segundo Deus. 3 E devem cuidar de não se irar
nem perturbar pelo pecado de alguém, porque a ira e a conturbação
impedem a caridade em si e nos outros. |
|
Caput VIII De electione generalis ministri
huius fraternitatis et de capitulo pentecostes |
Cap. VIII Da eleição do ministro
geral desta fraternidade e do capítulo de Pentecostes |
|
1 Universi fratres unum de fratribus is-tius religionis
teneantur semper habere ge-neralem ministrum et servum totius frater-ni-tatis
et ei teneantur firmiter obedire. 2 Quo decedente, electio successoris
fiat a ministris provincia-libus et custodibus in capitulo Pentecostes,
in quo provinciales mi-nistri teneantur semper insimul conve-nire, ubicumque
a generali ministro fuerit constitutum; 3 et hoc semel in tribus annis
vel ad alium terminum maiorem vel minorem, sicut a praedicto ministro
fuerit ordina-tum. 4 Et si aliquo tempore appareret univer-sitati ministrorum
provin-cialium et custo-dum, praedictum ministrum non esse suf-ficien-tem
ad servitium et communem utili-tatem fratrum, teneantur praedicti fratres,
quibus electio data est, in nomine Domini alium sibi eligere in custodem.
5 Post capitulum vero Pentecostes mi-nistri et custodes possint singuli,
si volue-rint et eis expedire videbitur, eodem anno in suis custodiis
semel fratres suos ad capitulum convocare. |
1 Todos os frades sejam sempre obri-gados a ter um
ministro geral e servo de toda a fraternidade e tenham que obede-cer-lhe
firmemente. 2 Quando ele falecer, faça-se a eleição
do sucessor pelos ministros provinciais e custódios no capítulo
de Pentecostes, em que os ministros provinciais tenham sem-pre que se
reunir juntos, onde quer que for estabelecido pelo ministro geral; 3 e
isso uma vez cada três anos ou em outro termo maior ou menor, como
for mandado pelo predito ministro. 4 E se em algum tempo parecer à
tota-lidade dos ministros provinciais e dos cus-tódios que o predito
ministro não é sufi-ciente para o serviço e a utilidade
comum dos frades, tenham os preditos frades, aos quais foi dada a eleição,
em nome do Se-nhor, a eleger outro pa-ra seu custódio. 5 Mas depois
do capítulo de Pentecostes possa cada um dos ministros e custódios,
se quiserem e lhes parecer oportuno, con-vocar uma vez seus frades a capítulo,
no mesmo ano e em suas custódias. |
|
Caput IX De praedicatoribus |
Cap. IX Dos pregadores |
|
1 Fratres non praedicent in episcopatu alicuius episcopi,
cum ab eo illis fuerit contradictum. 2 Et nullus fratrum populo penitus
au-deat praedicare, nisi a mi-nistro generali huius fraternitatis fuerit
examinatus et ap-pro-batus, et ab eo officium sibi praedica-tionis concessum.
3 Moneo quoque et exhortor eosdem fratres, ut in praedicatio-ne, quam
faciunt, sint examinata et casta eorum eloquia (cfr. Ps 11,7; 17,31),
ad utilitatem et aedifica-tionem populi, 4 anuntiando eis vitia et virtutes,
poe-nam et gloriam cum brevi-tate sermonis; quia verbum abbreviatum fecit
Dominus super terram (cfr. Rom 9, 28). |
1 Os frades não preguem na diocese de um bispo
quando lhes for proibido por ele. 2 E nenhum dos frades se atreva abso-lutamente
a pregar ao povo, se não tiver sido examinado e aprovado pelo ministro
geral desta fraternidade, e por ele lhe tiver sido concedido o ofício
da pregação. 3 Admoesto também e exorto os mes-mos
frades a que, na pregação que fazem, sejam examinadas e
castas suas palavras (cfr. Sal 11,7; 17,31), para a utilidade e edificação
do povo, 4 anunciando-lhes os vícios e as virtudes, a pena e a
glória, com brevidade de sermão; porque palavra abre-viada
fez o Senhor sobre a terra (cfr. Rm 9,28). |
|
Caput X De admonitione et correctione fratrum |
Cap. X Da admoestação e correção
dos frades |
|
1 Fratres, qui sunt ministri et servi alio-rum fratrum,
visitent et moneant fra-tres suos et humiliter et caritative corrigant
e-os, non praecipientes eis aliquid, quod sit contra animam suam et regulam
nos-tram. 2 Fratres vero, qui sunt subditi, recor-dentur, quod propter
Deum abnegaverunt proprias voluntates. 3 Unde firmiter prae-cipio eis,
ut obe-diant suis ministris in om-ni-bus quae pro-miserunt Domino obser-vare
et non sunt contraria animae et regu-lae nostrae. 4 Et ubicumque sunt
fra-tres, qui scirent et cognoscerent, se non posse regulam spi-ritualiter
observare, ad suos ministros de-beant et possint recur-rere. 5 Ministri
vero caritative et benigne eos recipiant et tantam fa-miliaritatem habeant
circa ipsos, ut dicere possint eis et facere sicut domini servis suis;
6 nam ita debet es-se, quod ministri sint servi omnium fra-trum. 7 Moneo
vero et exhortor in Domino Jesu Christo, ut caveant fratres ab omni superbia,
vana gloria, invidia, avaritia (cfr. Lc 12,15), cura et sollicitudine
huius sae-culi (cf Mt 13,22), detractione et murmu-ratione, et non curent
nescientes litteras, litteras discere; 8 sed attendant, quod super omnia
desiderare debent habe-re Spi-ritum Domini et sanctam eis ope-rationem,
9 ora-re semper ad eum puro cor-de et habere humilitatem, patien-tiam
in per-secutione et infirmitate 10 et diligere eos qui nos per-sequuntur
et reprehendunt et argu-unt, quia dicit Do-minus: Diligite inimicos vestros
et orate pro persequentibus et calumnian-tibus vos (cf Mt 5,44). 11 Beati
qui persecu-tionem patiuntur propter iustitiam, quo-niam ipsorum est regnum
caelorum (Mt 5,10). 12 Qui autem perseveraverit usque in finem hic salvus
erit (Mt 10,22). |
1 Os frades que são ministros e servos dos
outros frades visitem e admoestem seus frades e os corrijam humilde e
cari-dosamente, não lhes prescrevendo o que for contra sua alma
e nossa regra. 2 Mas os frades que são súditos lem-brem
que por Deus negaram suas próprias vontades. 3 Por isso lhes prescrevo
firme-mente que obedeçam a seus ministros em tudo que prometeram
ao Se-nhor ob-servar e que não é contrário a sua
alma e à nossa regra. 4 E onde houver frades que saibam e conheçam
que não podem ob-servar a regra espiritualmente, devam e possam
recorrer a seus ministros. 5 Mas os ministros os recebam carita-tiva e
benignamente e tenham tanta fami-liaridade com eles que possam falar-lhes
e agir como senhores com seus servos; 6 pois assim deve ser, que os ministros
se-jam servos de todos os frades. 7 Mas admoesto e exorto no Senhor Je-sus
Cristo que se guardem os frades de toda soberba, vanglória, inveja,
avareza (cfr. Lc 12,15), cuidado e solicitude deste sécu-lo (cfr.
Mt 13,22), detração e murmuração, e não
cuidem os que não sabem letras de aprender letras; 8 mas atendam
a que sobre todas as coisas devem desejar ter o Espíri-to do Senhor
e sua santa operação, 9 orar sempre a ele de coração
puro e ter humil-dade, paciência na perseguição e
na enfer-midade 10 e amar os que nos perseguem e repreendem e acusam,
porque diz o Se-nhor: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem
e caluniam (cfr. Mt 5,44). 11 Bem-aventurados os que sofrem perseguição
pela justiça, porque deles é o reino dos céus (Mt
5,10). 12 Mas o que perseverar até o fim, esse será salvo
(Mt 10,22). |
|
Caput XI Quod fratres non ingrediantur monasteria
monacharum |
Cap. XI Que os frades não entrem nos
mosteiros de monjas |
|
1 Praecipio firmiter fratribus universis, ne habeant
suspecta con-sortia vel consilia mulierum, 2 et ne ingrediantur monasteria
monacharum praeter illos, quibus a sede apostolica concessa est licentia
specialis; 3 nec fiant compatres virorum vel mulierum nec hac occasione
inter fratres vel de fratribus scandalum oriatur. |
1 Mando firmemente a todos os frades não tenham
relações suspeitas ou conselhos de mulheres, 2 e não
entrem nos mosteiros de monjas, fora aqueles a quem se concedeu licença
especial pela sé apostólica; 3 nem se façam compadres
de homens ou mulheres para que, nessa ocasião, não se origine
escândalo entre os frades ou sobre os frades. |
|
Caput XII De euntibus inter saracenos et alios
infideles |
Cap. XII Dos que vão entre os sarracenos
e outros infiéis |
|
1 Quicumque fratrum divina inspiratione voluerint
ire inter saracenos et alios infideles petant inde licentiam a suis mi-nistris
provincialibus. 2 Ministri vero nullis eundi licentiam tribuant, nisi
eis quos viderint esse idoneos ad mittendum. 3 Ad haec per obedientiam
iniungo mi-nistris, ut petant a domino papa unum de sanctae Romanae Ecclesiae
cardinalibus qui sit gubernator, protector et corrector istius fraternitatis,
4 ut semper subditi et subiecti pedibus eiusdem sanctae Ecclesiae stabiles
in fide (cf 1Col 1,23) catholica paupertatem et humili-tatem et sanctum
e-vangelium Domini nostri Jesu Christi quod firmiter et promisimus, observemus.
|
1 Qualquer dos frades que, por divina inspiração,
quiser ir entre os sarracenos e outros infiéis, peçam daí
licença a seus ministros provinciais. 2 Mas os ministros a nenhum
concedam licença de ir senão aos que virem ser idôneos
para enviar. 3 Para isso imponho por obediência aos ministros que
peçam ao senhor papa um dos cardeais da santa Igreja Romana que
seja governador, protetor e corretor desta fraternidade, 4 para que sempre
súditos e sujeitos aos pés da mesma santa Igreja, estáveis
na fé (cfr. 1Col 1,23) católica, ob-servemos a pobreza e
humildade e o santo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, que prometemos
firmemente. |
|