
REGRA
NÃO BULADA (RnB) |
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| Às vezes também é
chamada de Primeira Regra , deixando-se o nome de Segunda Regra para o
que estamos denominando Regra Bulada. Na verdade, não foi a primeira.
Alguns chamam de Proto-regra ou Regra Primitiva a que foi aprovada por
Inocêncio III em 1210. A Regra não bulada é a versão
final que resultou em 1221, depois que os capítulos gerais foram
acrescentando modificações à Regra Primitiva, para
se adequar à vida de uma fraternidade que não parava de
crescer. É o maior dos escritos de São Francisco. Ele é
certamente o autor, mas teve ampla colaboração de todos
os frades reunidos nos capítulos gerais. Trata-se de um documento
vivo, ardoroso, cheio de orações e de citações
bíblicas. É imprescindível para se conhecer o pensamento
de Francisco e de seus primeiros companheiros sobre a Ordem que estava
começando. Consulte também Fragmentos de outra Regra não bulada . |
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Texto
Original |
Texto
Traduzido |
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PROLOGUS |
PRÓLOGO |
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1 In nomine Patris et Filii
et Spiritus Sancti! 2 Haec est vita evangelii Jesu Christi, quam frater
Franciscus petiit a domino papa concedi et confirmari sibi. Et ille concessit
et confirmavit sibi et suis fratribus habitis et futuris. 3 Frater Franciscus
et quicumque erit caput istius religionis promittat obedientiam domino
Innocentio papae et reverentiam et suis successoribus. 4 Et omnes alii
fratres teneantur obedire fratri Francisco et eius successoribus. |
1 Em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo! 2 Esta é a vida do Evangelho de Jesus
Cristo, que Frei Francisco pediu que lhe fosse concedida e confirmada
pelo senhor Papa. E ele o concedeu e confirmou para si e seus frades,
presentes e futuros. 3 Frei Francisco e todo o que for cabeça desta
religião, prometa obediência e reverência ao senhor
Papa Inocêncio e a seus sucessores. 4 E todos os outros frades estejam
obrigados a obedecer a Frei Francisco e a seus sucessores. |
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I. QUOD FRATRES DEBENT
VIVERE SINE PROPRIO ET IN CASTITATE ET OBEDIENTIA |
I. QUE OS FRADES DEVEM
VIVER SEM PRÓPRIO E EM CASTIDADE E OBEDIÊNCIA |
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1 Regula et vita istorum fratrum haec est, scilicet
vivere in obedientia, in castitate et sine proprio, et Domini nostri Jesu
Christi doctrinam et vestigia sequi (cfr. 1Petr 2,21), qui dicit: 2 “Si
vis perfectus esse, vade et vende omnia (Lc 18,22) quae habes, et da pauperibus
et habebis thesaurum in caelo; et veni, sequere me” (Mt 19,21).
3 Et: “Si quis vult post me venire, abneget semetipsum et tollat
crucem suam et sequatur me” (Mt 16,24). 4 Item: “Si quis vult
venire ad me et non odit patrem et matrem et uxorem et filios et fratres
et sorores, adhuc autem et ani-mam suam, non potest meus esse dis-cipulus”
(Lc 14,26). 5 Et: “Omnis, qui reliquerit patrem aut matrem, fratres
aut soro-res, uxorem aut filios, domos aut agros propter me, centu-plum
accipiet et vitam aeternam possi-debit” (Mt 19,29; Mc 10,29; Lc
18,29). |
1 A regra e vida destes frades é esta, a
saber, viver em obediência, em castidade e sem próprio, e
seguir a dou-trina e os vestígios de nosso Senhor Jesus Cristo,
que diz: 2 "Se queres ser perfeito, vai e vende tudo (cfr. Lc 18,22)
que tens, e dá aos pobres e terás um tesouro no céu;
e vem, segue-me" (Mt 19,21). 3 E: "Se alguém quer vir
após mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz e me siga"
(Mt 16,24). 4 Do mesmo modo: "Se alguém quer vir a mim e não
odeia pai e mãe e mulher e filhos e irmãos e irmãs,
e também sua própria vida, não pode ser meu discípulo"
(Lc 14, 26). 5 E: "Todo aquele que deixar pai ou mãe, irmãos
ou irmãs, esposa ou filhos, casas ou campos por causa de mim, re-ceberá
o cêntuplo e possuirá a vida eterna" (Mt 19,29; Mc 10,29;
Lc 18,29). |
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II. DE RECEPTIONE
ET VESTIMENTIS FRATRUM |
II. DA RECEPÇÃO
E VESTES DOS FRADES |
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1 Si quis divina inspiratione volens accipere hanc
vitam venerit ad nostros fratres, benigne recipiatur ab eis. 2 Quodsi
fuerit firmus accipere vitam nostram, multum caveant sibi fratres, ne
de suis temporalibus negotiis se intromit-tant, sed ad suum ministrum,
quam citius possunt, eum repraesen-tent. 3 Minister vero benigne ipsum
recipiat et confortet et vitae nos-trae tenorem sibi diligenter exponat.
4 Quo facto, praedictus, si vult et potest spiritualiter sine impedi-mento,
omnia sua vendat et ea omnia pau-peribus studeat ero-gare. 5 Caveant sibi
fratres et minister fra-trum, quod de negotiis suis nullo modo intromittant
se 6 neque recipiant aliquam pecuniam neque per se neque per in-terpo-sitam
personam. 7 Si tamen indigent, alia necessaria corporis praeter pecuniam
recipere pos-sunt fratres causa necessitatis sicut alii pau-peres. 8 Et
cum reversus fuerit, minister con-cedat ei pannos probationis usque ad
an-num, scilicet duas tunicas sine caputio et cingulum et braccas et caparonem
usque ad cingulum. 9 Finito vero anno et termino probatio-nis recipiatur
ad obedi-entiam. 10 Postea non licebit ei ad aliam reli-gionem accedere
neque “ext-ra obedien-tiam evagari” iuxta mandatum domini
papae et se-cundum evangelium; quia ”nemo mittens manum ad aratrum
et aspiciens retro aptus est regno Dei” (Lc 9,62). 11 Si autem aliquis
venerit qui sua dare non potest sine impedi-mento et habet spi-ritualem
voluntatem, relinquat illa et suf-fi-cit sibi. 12 Nullus recipiatur contra
for-mam et institutionem sanctae Ec-clesiae. 13 Alii vero fratres qui
promiserunt obedientiam habeant unam tunicam cum caputio, et aliam sine
caputio, si necesse fue-rit, et cingulum et braccas. 14 Et omnes fratres
vilibus vestibus induantur, et possint eas repeciare de sac-cis et aliis
peciis cum benedictione Dei; quia dicit Dominus in evangelio: “Qui
in veste pretiosa sunt et in deliciis” (Lc 7,25) et “qui mollibus
vestiuntur, in domibus re-gum sunt” (Mt 11, 8). 15 Et licet dicantur
hypocritae, non ta-men cessent bene facere nec quaerant ca-ras vestes
in hoc saeculo, ut possint habere vesti-mentum in regno caelorum. |
1 Se alguém, querendo por inspiração
divina receber esta vida, vier aos nossos frades, seja benignamente recebido
por eles. 2 E se estiver firme para receber nossa vida, guardem-se muito
os frades de intro-meter-se em seus negócios temporais, mas o reapresentem
logo que puderem ao seu ministro. 3 O ministro, porém, receba-o
benigna-mente e o conforte, e lhe exponha diligen-temente o teor de nossa
vida. 4 Feito isso, o predito, se quiser e puder espiritualmen-te sem
impedimento, venda tudo que é seu e procure dar tudo aos pobres.
5 Guardem-se os frades e o ministro dos frades de se intrometer de modo
algum em seus negócios 6 e não recebam pecúnia alguma
nem por si nem por pessoa inter-mediária. 7 Mas, se precisarem,
podem os frades receber outras coisas necessárias para o corpo,
menos dinheiro, por causa da necessidade, como os outros pobres. 8 E quando
tiver voltado, o ministro conceda-lhe os panos da provação
para um ano, isto é, duas túnicas sem capuz e o cíngulo
e as bragas e um caparão até o cíngulo. 9 Mas acabado
o ano e término da provação, seja recebido na obediência.
10 Depois não lhe será lícito entrar em outra religião
nem "vagar fora da obediência" de acordo com o mandato
do senhor papa e segundo o evangelho; porque "ninguém que
põe a mão no arado e olha para trás é apto
para o reino de Deus" (Lc 9,62). 11 Mas se vier algum que não
pode dar seus bens sem impedimento e tem vontade espiritual, deixe-os
e lhe baste. 12 Ninguém seja recebido contra a forma e a instituição
da santa Igreja. 13 Mas os outros frades que promete-ram obediência
tenham uma túnica com capuz e outra sem capuz, se for necessário,
e o cíngulo e as bragas. 14 E todos os frades vistam-se de rou-pas
vis e possam remendá-las com sacos e outros retalhos com a bênção
de Deus, porque diz o Senhor no evangelho: "Os que estão em
vestes preciosas também es-tão em delícias"
(Lc 7,25) e "os que se vestem de moles estão nas casas dos
reis" (Mt 11,8). 15 E mesmo que os chamem de hipócritas, todavia
não deixem de fazer o bem nem procurem roupas caras neste século,
para poderem ter um vestimento no reino dos céus. |
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III. DE DIVINO OFFICIO
ET IEIUNIO |
III. DO OFÍCIO
DIVINO E DO JEJUM |
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1 Dicit Dominus: Hoc genus daemo-nio-rum non potest
exire nisi in ieiunio et ora-tione (cfr. Mc 9,28); 2 et iterum: “Cum
ie-iunatis nolite fieri sicut hypocritae tristes” (Mt 6,16). 3 Propter
hoc omnes fratres sive clerici sive laici faciant divi-num officium, laudes
et orationes, secun-dum quod debent facere. 4 Clerici faciant officium
et dicant pro vivis et pro mortuis se-cundum consuetu-dinem clericorum.
5 Et pro defectu et ne-gligentia fratrum dicant omni die Miserere mei
Deus (Ps 50) cum Pater noster ; 6 et pro fratribus defunctis dicant De
profundis (Ps 129) cum Pater noster . 7 Et libros tantum necessarios ad
im-plendum eorum officium possint habere. 8 Et laicis etiam scientibus
legere psalterium liceat eis habere illud. 9 Aliis vero nescientibus litteras
librum habere non liceat. 10 Laici dicant Credo in Deum et viginti quattuor
Pater noster cum Gloria Patri pro matutino; pro laudibus vero quinque;
pro prima Credo in Deum et septem Pater noster cum Gloria Patri ; pro
sexta et nona et unaquaque hora septem; pro ves-peris duodecim; pro completorio
Credo in Deum et septem Pater noster cum Gloria Patri ; pro mortuis septem
Pater nos-ter cum requiem aeternam ; et pro defectu et negligentia fra-trum
tria Pater noster omni die. 11 Et similiter omnes fratres ieiunent a festo
Omnium Sanctorum usque ad Natale et ab Epiphania, quando Dominus noster
Jesus Christus incepit ieiunare usque ad Pascha. 12 Aliis vero temporibus
non te-neantur secundum hanc vitam nisi sexta feria ieiunare. 13 Et liceat
eis manducare de omnibus cibis, qui apponuntur eis, secundum evan-gelium
(cfr. Lc 10,8). |
1 Diz o Senhor: Este tipo de demônios não
pode sair senão com jejum e oração (cfr. Mc 9,28);
2 e ainda: "Quando jejuardes não vos façais tristes,
como os hipócritas" (Mt 6,16). 3 Por isso todos os frades,
tanto clérigos como leigos, façam o ofício divi-no,
os louvores e as orações, conforme o que devem fazer. 4
Os clérigos façam o ofício e rezem pelos vivos e
pelos mortos segundo o cos-tume dos clérigos. 5 E pelos defeitos
e ne-gligências dos frades digam todo dia Mi-serere mei Deus (Sl
50) com o Pai nosso; 6 e pelos frades defuntos digam De pro-fundis (Sl
129) com o Pai nosso. 7 E só podem ter os livros necessários
para cumprir seu ofício. 8 E também aos leigos que sabem
ler o saltério seja permi-tido tê-lo. 9 Mas aos outros que
não sabem letras não seja permitido ter livro. 10 Os leigos
digam o Credo in Deum e vinte e quatro Pater noster com Gloria Patri pelas
matinas; e por laudes, cinco; por prima Credo in Deum e sete Pater noster
com Gloria Patri; por sexta e noa e cada hora sete, por vésperas
doze; por completas Credo in Deum e sete Pater noster com Gloria Patri;
pelos mortos sete Pater noster com requiem aeternam; e pelos defeitos
e negligências dos frades três Pater noster todos os dias.
11 E igualmente todos os frades jejuem da festa de Todos os Santos até
o Na-tal e da Epifania, quando nosso Se-nhor Jesus Cristo começou
a jejuar até a Páscoa. 12 Mas em outros tempos não
se-jam obriga-dos a jejuar segundo esta vida a não ser na sexta-feira.
13 E seja-lhes licito comer de todos os alimentos que lhes são
servi-dos, segundo o evangelho (cfr. Lc 10,8). |
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IV: DE MINISTRIS ET
ALIIS FRATRIBUS QUALITER ORDINENTUR |
IV. DOS MINISTROS E
DOS OUTROS FRADES, COMO SE ORGANIZAM |
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1 In nomine Domini! 2 Omnes fratres, qui constituuntur
mi-nistri et servi aliorum fratrum, in provin-ciis et in locis, in quibus
fuerint, collocent suos fratres quos saepe visitent et spiritualiter moneant
et confortent. 3 Et omnes alii fratres mei benedicti diligenter obediant
eis in his quae spectant ad salutem animae et non sunt contraria vitae
nostrae. 4 Et faciant inter se sicut dicit Domi-nus: “Quaecumque
vultis, ut faciant vobis homines, et vos facite illis” (Mt 7,12);
5 et: “Quod non vis tibi fieri, non facias alteri” (Tob 4,16).
6 Et recordentur ministri et servi, quod dicit Dominus: “Non veni
ministrari sed ministrare” (Mt 20,28) et quia commissa est eis cura
animarum fratrum, de quibus, si aliquid perderetur propter eorum cul-pam
et malum exemplum, in die iudicii oportebit eos reddere rationem (cfr.
Mt 12, 36) coram Domino Jesu Christo. |
1 Em nome do Senhor! 2 Todos os fra-des que são
constituídos ministros e servos dos outros frades, coloquem seus
frades nas províncias e lugares em que estiverem, e sempre os visitem
e admoestem espiritualmente e confortem. 3 E todos os meus outros frades
benditos obedeçam-lhes dili-gentemente no que diz respeito à
salvação da alma e não é contrário
à nossa vida. 4 E ajam entre si como diz o Senhor: "Tudo que
quereis que os homens vos façam, fazei-o para eles": (Mt 7,12;
5 e "o que não queres que te façam, não faças
ao outro" (Tb 4,16). 6 E lembrem os ministros e servos que diz o
Senhor: "Não vim para ser servido mas para servir" (Mt
20,28) e que lhes foi confiada a solicitude pelas almas dos frades, dos
quais, se algo se perder por sua culpa e mau exemplo, no dia do juízo
terão que dar contas (cfr. Mt 12,36), diante do Senhor Jesus Cristo.
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V. DE CORRECTIONE FRATRUM
IN OFFENSIONE |
V. DA CORREÇÃO
DOS FRADES EM PECADO |
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1 Ideoque animas vestras et fratrum vestrorum custodite;
quia “horrendum est incidere in manus Dei viventis” (Hebr
10,31). 2 Si quis autem ministrorum alicui fratrum aliquid contra vitam
nostram praeciperet vel contra animam suam, non teneatur ei obedire; quia
illa obedientia non est, in qua delictum vel peccatum committitur. 3 Verumtamen
omnes fratres qui sunt sub ministris et servis, facta ministrorum et servorum
considerent rationabiliter et diligenter, 4 et si viderint aliquem illorum
carnali-ter et non spiritualiter ambulare pro recti-tudine vitae nostrae,
post tertiam ad-moni-tionem, si non se emendaverit, in ca-pitulo Pentecostes
renun-tient ministro et servo totius fraternitatis nulla contradic-tione
impediente. 5 Si vero inter fratres ubicumque fuerit aliquis frater volens
carnaliter et non spi-ritualiter ambulare, fratres, cum quibus est, moneant
eum, instruant et corripiant humiliter et diligen-ter. 6 Quod si ille
post tertiam admonitio-nem noluerit se emendare, quam citius possunt,
mittant eum vel significent suo ministro et servo, qui minister et servus
de eo faciat sicut sibi secundum Deum melius videbitur expedire. 7 Et
caveant omnes fratres tam ministri et servi quam alii, quod propter peccatum
alterius vel malum non turbentur vel iras-cantur, quia diabolus propter
delictum unius multos vult cor-rumpere; 8 sed spiri-tualiter, sicut melius
possunt, adiuvent il-lum qui pec-cavit, quia non est sanis opus medicus,
sed male habentibus (cfr. Mt 9,12 cum Mc 2,17). 9 Similiter omnes fratres
non habeant in hoc potestatem vel do-minationem ma-xime inter se. 10 Sicut
enim dicit Dominus in evan-gelio: “Principes gentium domi-nantur
eo-rum, et qui maiores sunt potes-tatem exercent in eos” , (Mt 20,25),
non sic erit inter fratres (cfr. Mt 20,26a); 11 et qui-cumque voluerit
inter eos maior fieri sit eorum minister (cfr. Mt 20,26b) et ser-vus;
12 et qui maior est inter eos fiat sicut minor (Lc 22,26). 13 Nec aliquis
frater malum faciat vel malum dicat alteri; 14 immo magis per ca-ritatem
spiritus voluntarie serviant et obe-diant invicem (cfr. Gal 5,13). 15
Et haec est vera et sancta obedientia Domini nostri Jesu Christi. 16 Et
omnes fratres, quoties declinave-rint a mandatis Domini et extra obedien-tiam
evagaverint, sicut dicit propheta (Ps 118, 21), sciant se esse maledictos
extra obe-dientiam quousque ste-terint in tali peccato scienter. 17 Et
quando perseverave-rint in man-datis Domini, quae promi-serunt per sanctum
evangelium et vitam ipsorum, sciant se in vera obedientia stare, et bene-dicti
sint a Domino. |
1 Portanto guardai vossas almas e as dos vossos
frades; porque "é horrível cair nas mãos do
Deus vivo" (Hb 10,31. 2 Por isso se algum dos ministros desse ordem
a algum dos frades contra nossa vida ou contra sua alma, não terá
que obedecer-lhe; porque não é obediência essa em
que se comete delito ou pecado. 3 Entretanto, todos os frades que estão
sob os ministros e servos, considerem os feitos dos ministros e servos
racional e diligentemente, 4 e se virem que algum deles caminha carnal
e não espiritualmen-te, em vez da retitude de nossa vida, se não
se emendar depois da terceira admo-estação, denunciem-no
no capítulo de Pentecostes ao ministro e servo de toda a fraternidade,
sem que o impeça nenhuma contradição. 5 Mas se entre
os frades, onde quer que seja, houver algum frade que queira andar carnal
e não espiritualmente, os frades, com os quais está, avisem-no,
instruam e corrijam humilde e diligentemente. 6 E se ele, depois da terceira
admoes-tação, não quiser se emendar, mandem-no o
mais depressa que puderem ou avi-sem seu ministro e servo, o qual ministro
e servo faça dele como, segundo Deus, melhor lhe parecer conveniente.
7 E guardem-se todos os frades, tanto ministros e servos como os outros,
de per-turbar-se ou irar-se pelo pecado ou mal do outro, porque o diabo
quer corromper muitos pelo delito de um; 8 mas, espiritualmente, como
melhor puderem, ajudem o que pecou, porque não precisam de médico
os sãos mas os que estão mal (cfr. Mt 9,12 com Mc 2,17).
9 Semelhantemente, todos os frades não tenham nisso poder ou domínio
entre si. 10 Pois, como diz o Senhor no evan-gelho: "Os príncipes
dos povos os dominam, e os que são maiores exercem poder sobre
eles", (Mt 20,25), mas não será assim entre os irmãos
(cfr. Mt 20,26); 11 e todo que quiser entre eles ser o maior seja seu
ministro (cfr. Mt 20,26) e servo; 12 e quem é o maior entre eles
faça-se como o menor (Lc 22,26). 13 E nenhum frade faça
mal ou fale mal ao outro; 14 antes, pela caridade do espírito,
sirvam e obedeçam uns aos outros (cfr. Gl 5,13). 15 E esta é
a verdadeira e santa obe-diência de nosso Senhor Jesus Cristo. 16
E todos os frades, quantas vezes se desviarem dos mandatos do Senhor e
va-garem fora da obediência, como diz o pro-feta (Sl 118,21), saibam
que são malditos fora da obediência enquanto esti-verem em
tal pecado cientemente. 17 E quan-do perse-verarem nos mandatos do Senhor,
que prometeram pelo santo evan-gelho e por sua vida, saibam que estão
na verda-deira obediência, e são abençoados pelo Senhor.
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VI: DE RECURSU FRATRUM
AD MINISTROS ET QUOD ALIQUIS FRATER NON VOCETUR PRIOR |
VI: DO RECURSO DOS
FRADES AOS MINISTROS E QUE NENHUM FRADE SE CHAME PRIOR |
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1 Fratres, in quibuscumque locis sunt, si non possunt
vitam nos-tram observare, quam citius possunt, recurrant ad suum minis-trum
hoc sibi significantes. 2 Minis-ter vero taliter eis studeat pro-videre,
sicut ipse vellet sibi fieri, si in con-simili casu esset. 3 Et nullus
vocetur prior, sed genera-liter omnes vocentur fratres minores. 4 Et alter
alterius lavet pedes (cfr. Joa 13,14). |
1 Os frades, em qualquer lugar que estão,
se não podem observar nossa vida, logo que puderem, recorram a
seu mi-nistro, manifestando isso. 2 Mas o ministro procure provê-los
de tal maneira, como ele mesmo quisera que se lhe fizesse, se estivesse
em caso semelhante. 3 E nenhum se chame prior, mas em geral todos se chamem
frades meno-res. 4 E um lave os pés do outro (cfr. Jo 13,14). |
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VII: DE MODO SERVIENDI
ET LABORANDI |
VII: DO MODO DE SERVIR
E DE TRABALHAR |
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1 Omnes fratres, in quibuscumque locis steterint
apud alios ad serviendum vel laborandum, non sint camerarii neque cancel-larii
neque praesint in domibus in quibus serviunt; nec reci-piant aliquod officium
quod scandalum generet vel animae suae faciat detrimentum (cfr. Mc 8,36);
2 sed sint minores et subditi omnibus, qui in eadem domo sunt. 3 Et fratres,
qui sciunt laborare, labo-rent et eandem artem exer-ceant, quam noverint,
si non fuerit contra salutem animae et honeste poterit operari. 4 Nam
propheta ait: “Labores fructuum tuorum manducabis; beatus es et
bene tibi erit” (Ps 127,2); 5 et apostolus: “Qui non vult
operari non manducet (cfr. 2Thess 3,10); 6 et: Unusquisque in ea arte
et offi-cio, in quo vocatus est, per-maneat (cfr. 1Cor 7,24). 7 Et pro
labore possint re-cipere omnia necessaria praeter pecu-niam. 8 Et cum
necesse fuerit, vadant pro eleemosynis sicut alii paupe-res. 9 Et liceat
eis habere ferramenta et instrumenta suis artibus op-portuna. 10 Omnes
fratres studeant bonis ope-ribus insudare, quia scriptum est: Semper facito
aliquid boni, ut te diabolus inveniat oc-cupatum (S.Hier Ep 125,11). 11
Et iterum: “Otiositas inimi-ca est animae” (S Ben Reg 48,1).
12 Ideo servi Dei semper orationi vel alicui bonae operationi insistere
debent. 13 Caveant sibi fratres, ubicumque fue-rint, in eremis vel in
aliis locis, quod nul-lum locum sibi approprient nec alicui de-fen-dant.
14 Et quicumque ad eos venerit amicus vel adversarius, fur vel latro be-nigne
re-cipiatur. 15 Et ubicumque sunt fratres et in quocumque se invenerint,
spiritualiter et diligenter debeant se revidere et honorare ad “invicem
sine murmuratione” (1Petr 4,9). 16 Et caveant sibi, quod non se
osten-dant tristes extrinsecus et nubilosos hypo-critas; sed ostendant
se gaudentes in Domino (Phil 4,4) et hilares et conve-nienter gratiosos.
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1 Todos os frades, em qualquer lugar em que estiverem
em casa de outros para servir ou trabalhar, não sejam mordomos
nem chanceleres nem estejam à frente das casas em que servem; nem
recebam algum emprego que cause escândalo ou produza detrimento
para sua alma (cfr. Mc 8,36); 2 mas sejam menores e submissos a todos
que estão na mesma casa. 3 E os frades, que sabem trabalhar, tra-balhem
e exerçam o mesmo ofício que sa-bem, se não for contra
a salvação da alma e puder ser feito honradamente. 4 Pois
diz o profeta: "Comerás os trabalhos dos teus frutos; és
feliz e estarás bem" (Sl 127,2); 5 e o apóstolo: "Quem
não quer trabalhar, não coma" (cfr. 2Ts 3,10); 6 e:
Cada um fique na arte e ofício em que foi chamado (cfr. 1Cor 7,24).
7 E pelo traba-lho possam receber tudo que for neces-sário, menos
dinheiro. 8 E quando for necessário, vão pela esmola como
os outros pobres. 9 E possam ter ferramentas e instru-mentos convenientes
para seus ofícios. 10 Todos os frades esforcem-se por suar em boas
obras (S Greg M Hom 13 in Ev.), porque está escrito: Faz sempre
alguma coisa boa, para que o diabo te encontre ocupado (S Jeron Ep 125,11).
11 E ainda: "A ociosidade é inimiga da alma" (S Bern
Reg 48,1). 12 Por isso os servos de Deus devem insistir sempre na oração
ou em alguma obra boa. 13 Guardem-se os frades, onde quer que estejam,
em eremitérios ou outros lugares, de apropriar-se de lugar algum
ou de im-pedi-lo a alguém. 14 E quem quer que ve-nha a eles, amigo
ou adversário, ladrão ou assaltante, receba-se benignamente.
15 E onde quer que estejam os frades e onde quer que se encontrem, devem
voltar a ver-se e honrar-se espiritual e diligente-mente "mutuamente
sem murmuração" (1Pd 4,9). 16 E cuidem de não
se mostrar tristes por fora e sombrios hipócritas; mas se mostrem
alegres no Senhor (cfr. Fl 4,4) e bem humorados e convenientemente amáveis.
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VIII: QUOD FRATRES
NON RECIPIANT PECUNIAM |
VIII. QUE OS FRADES
NÃO RECEBAM PECÚNIA |
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1 Dominus praecipit in evangelio: Vi-dete, cavete
ab omni malitia et avaritia (Lc 12, 15); 2 et: Attendite vobis a solli-citudine
huius saeculi et a curis huius vitae (Lc 21, 34). 3 Unde nullus fratrum,
ubicumque sit et quocumque vadit, ali-quo modo tollat nec recipiat nec
recipi faciat pecuniam aut de-narios neque occasione vestimentorum nec
librorum nec pro pretio alicuius labo-ris, immo nulla occasione, nisi
propter ma-nifestam necessitatem infirmorum fra-trum; quia non debemus
maiorem utilita-tem habere et reputare in pecunia et dena-riis quam in
lapidibus. 4 Et illos vult diabolus excaecare, qui eam appetunt vel reputant
lapidibus me-liorem. 5 Caveamus ergo nos, qui omnia relin-quimus (cfr.
Mt 19,27), ne pro tam modico regnum caelorum perdamus. 6 Et si in aliquo
loco inveniremus de-narios, de his non curemus tamquam de pulvere, quem
pedibus calcamus, quia “vanitas vanitatum et omnia vanitas”
(Ecclo 1,2). 7 Et si forte, quod absit, ali-quem fra-trem contingerit
pecuniam vel denarios colligere vel habere, excepta so-lummodo praedic-ta
infirmorum necessitate, omnes fratres teneamus eum pro falso fratre et
apostata et fure et latrone et locu-los ha-bente (cfr. Joa 12, 8), nisi
vere poenituerit. 8 Et nullo modo fratres recipiant nec quaerant nec quaeri
faciant pecuniam pro eleemosyna neque denarios pro aliquibus domi-bus
vel locis; neque cum persona pro talibus locis pecunias vel denarios quae-rente
vadant; 9 alia autem servitia, quae non sunt contraria vitae nostrae,
pos-sunt fratres locis facere cum benedictione Dei. 10 Fratres tamen in
manifesta necessta-te leprosorum possunt pro eis, quaerere eleemosynam.
11 Caveant tamen multum a pecunia. 12 Similiter caveant omnes fra-tres,
ut pro nullo turpi lucro terras circu-eant. |
1 Manda o Senhor no evangelho: Olhai, guardai-vos
de toda malícia e avareza (cfr. Lc 12,15); 2 e: Guardai-vos da
solicitude deste século e dos cuidados desta vida (cfr. Lc 21,34).
3 Por isso nenhum dos frades, onde quer que esteja e onde quer que vá,
de modo algum tome, nem receba nem faça receber pecúnia
ou dinheiro nem por pre-texto de roupas nem de livros nem pelo preço
de algum trabalho, mesmo em ne-nhuma ocasião, a não ser
por manifesta necessidade dos frades doentes; porque não devemos
ter e calcular maior uti-lidade na pecúnia e no dinheiro que nas
pedras. 4 E o diabo quer cegar os que a cobi-çam ou a calculam
melhor do que as pe-dras. 5 Guardemo-nos, portanto, os que dei-xamos tudo
(cfr. Mt 19,27), para não perder por tão pouco o reino dos
céus. 6 E se em algum lugar encontrarmos dinheiro, não nos
preocupemos com ele, como do pó que calcamos com os pés,
por-que "vaidade das vaidades e tudo vaida-de" (Eclo 1,2). 7
E se por acaso, longe disso, acontecer de algum frade recolher ou ter
dinheiro, excetuando apenas a predita ne-cessidade dos doentes, todos
os frades o tenhamos como falso frade e apóstata e ladrão
e assaltante, e que tem a bolsa (cfr. Jo 12,8), a não ser que se
penitencie de verdade. 8 E de nenhum modo os frades rece-bam ou façam
receber pecúnia como es-mola nem dinheiro para algumas casas ou
lugares; nem vão com pessoa que pede pecúnia ou dinheiro
para tais lugares; 9 mas os frades podem fazer nos lugares ou-tros serviços
que não são contrários a nos-sa vida, com a bênção
de Deus. 10 Entretanto, em manifesta necessi-dade dos leprosos, os frades
podem pedir esmola para eles. 11 Mas guardem-se muito do dinheiro. 12
Do mesmo modo guardem-se os frades de circular pelas terras por algum
lucro torpe. |
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IX: DE PETENDA ELEEMOSYNA |
IX: DO PEDIR ESMOLAS |
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1 Omnes fratres studeant sequi humili-tatem et paupertatem
Do-mini nostri Jesu Christi et recordentur, quod nihil aliud o-portet
nos habere de toto mundo, nisi sicut dicit apostolus, habentes ali-menta
et qui-bus tegamur, his contenti sumus (cfr. 1 Tim 6,8). 2 Et debent gaudere,
quando conver-santur inter viles et des-pectas personas, inter pauperes
et debiles et infirmos et le-pro-sos et iuxta viam mendicantes. 3 Et cum
necesse fuerit, vadant pro eleemosynis. 4 Et non verecundentur et magis
recordentur, quia Dominus noster Jesus Christus, Filius Dei vivi (Joa
11,27) omnipoten-tis, posuit faciem suam ut petram durissimam (Is 50,7),
nec vere-cundatus fuit; 5 et fuit pauper et hospes et vixit de eleemosynis
ipse et beata Virgo et discipuli eius. 6 Et quando facerent eis homines
ve-recundiam et nollent eis dare eleemosy-nam, referant inde gratias Deo;
quia de verecundiis recipient magnum honorem ante tribunal Domini nostri
Jesu Christi. 7 Et sciant, quod verecundia non pa-tientibus, sed inferentibus
imputatur. 8 Et eleemosyna est hereditas et ius-titia, quae debetur paupe-ribus,
quam nobis ac-quisivit Dominus noster Jesus Christus. 9 Et fratres qui
eam acquirendo la-borant, magnam mercedem ha-bebunt et faciunt lucrari
et acquirere tribuentes; quia omnia quae relinquent homines in mundo pe-ribunt,
sed de caritate et de eleemosynis, quas fecerunt, habebunt praemium a
Do-mino. 10 Et secure manifestet unus alteri necessitatem suam, ut sibi
ne-cessaria inveniat et ministret. 11 Et quilibet diligat et nutriat fratrem
suum, sicut mater diligit et nutrit filium suum (cfr. 1Thes 2, 7), in
quibus ei Deus gratiam largietur. 12 Et “qui non manducat, manducan-tem
non iudicet" (Rom 14, 3b). 13 Et quan-documque necessitas super-venerit,
liceat universis fra-tribus, ubicum-que fuerint, uti omnibus cibis, quos
pos-sunt ho-mines manducare, sicut Dominus dicit de David, qui comedit
panes pro-positionis (cfr. Mt 12,4), quos non licebat manducare nisi sa-cerdotibus
(Mc 2,26). 14 Et recordentur, quod dicit Dominus: Attendite autem vobis
ne forte graventur corda vestra in crapula et ebrietate et curis huius
vitae et superveniat in vobis repentina dies illa; 15 tamquam enim laqueus
superveniet in omnes, qui sedent super faciem orbis terrae (cfr. Lc 21,34-35).
16 Similiter etiam tempore manifestae necessitatis faciant omnes fratres
de eo-rum necessariis, sicut eis Dominus gra-tiam lar-gietur, quia necessitas
non habet legem. |
1 Todos os frades se empenhem em seguir a humildade
e a pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo e lembrem que não convém
termos mais nada do mundo intei-ro, senão, como diz o apóstolo,
tendo ali-mentos e com que nos cobrir, com isso estamos contentes (cfr.
1Tm 6,8). 2 E devem alegrar-se quando convivem com pessoas vis e desprezadas,
com po-bres e fracos e doentes e leprosos e os que mendigam à beira
da estrada. 3 E quando for necessário vão pela es-mola.
4 E não se envergonhem, antes lem-brem que nosso Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus vivo (Jo 11,27) onipotente, pôs sua face como uma
pedra duríssima (Is 50,7), e não se envergonhou; 5 e foi
pobre e hóspede e viveu de esmolas, ele e a bem-aventurada Virgem
e os seus discípulos. 6 E quando as pessoas os envergonha-rem e
não quiserem dar-lhes esmola, dêem por tudo isso graças
a Deus; porque pela vergonha vão receber grande honra diante do
tribunal de nosso Senhor Jesus Cristo. 7 E saibam que a vergonha não
se imputa aos que a sofrem mas aos que a causam. 8 E a esmola é
a herança e justiça que se deve aos pobres, e foi adquirida
para nós por nosso Senhor Jesus Cristo. 9 E os frades que trabalham
para adquiri-la terão uma grande recompensa e fazem ganhá-la
e adquiri-la os que a dão; porque tudo que os homens vão
deixar no mundo vai perecer, mas pela caridade e as esmolas que fizeram
terão prêmio da parte do Se-nhor. 10 E com segurança
manifeste um ao outro sua necessidade, para que encontre o que lhe é
necessário e o sirva. 11 E cada um ame e nutra seu irmão,
como a mãe ama e nutre seu filho (cfr. 1Ts 2,7), naquilo em que
Deus lhe der a graça. 12 E "o que não come, não
julgue o que come" (Rm 14,3). 13 E quando quer que sobrevenha a necessidade,
seja lícito a todos os frades, onde quer que estejam, usar todos
os alimentos que as pessoas po-dem comer, como diz o Senhor de Daví,
que comeu os pães da proposição (cfr. Mt 12,4), que
não era lícito comer senão aos sacerdotes (Mc 2,26).
14 E lembrem o que diz o Senhor: Guardai-vos de que por acaso se sobre-carreguem
os vossos corações na crápula e na bebedeira e nos
cuidados desta vida e sobrevenha de repente para vós aquele dia;
15 pois sobrevirá como um laço para todos os que habitam
sobre a face do orbe da terra (cfr. Lc 21,34-35). 16 Semelhantemente,
também em tem-po de manifesta necessidade façam todos os
frades o que lhes for necessário, como Deus lhes der a graça,
porque a necessi-dade não tem lei. |
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X: DE INFIRMIS FRATRIBUS |
X: DOS FRADES DOENTES |
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1 Si quis fratrum in infirmitate cecide-rit, ubicumque
fuerit, alii fratres non di-mittant eum, nisi constituatur unus de fra-tribus
vel plures, si necesse fuerit, qui ser-viant ei, sicut vellent sibi serviri;
2 sed in maxima necessitate possunt ipsum dimit-tere alicui per-sonae
quae suae debeat satis-facere infirmitati. 3 Et rogo fratrem infirmum,
ut referat de omnibus gratias Crea-tori; et quod qua-lem vult eum Dominus
talem se esse desi-deret sive sanum sive infirmum, quia om-nes, quos Deus
ad vitam praeordinavit ae-ternam (cfr. Act 13,48), flagellorum atque in-firmitatum
stimulis et compunctionis spiritu erudit, sicut Do-minus dicit: “Ego
quos amo corrigo et castigo” (Apoc 3,19). 4 Et si quis turbabitur
vel irascetur sive contra Deum sive contra fratres, vel si for-te sollicite
postulaverit medicinas nimis desi-derans liberare carnem cito moritu-ram,
quae est animae inimi-ca, a malo sibi evenit et carnalis est, et non videtur
esse de fratri-bus, quia plus diligit corpus quam ani-mam. |
1 Se algum dos frades cair em enfermi-dade, onde
quer que esteja, os outros fra-des não o deixem, mas se designe
um frade, ou mais, se for necessário, que o sirvam, como quereriam
ser servidos; 2 mas em necessidade extrema podem en-tregá-lo a
alguma pessoa que deva satis-fazer por sua enfermidade. 3 E rogo ao frade
doente que dê graças por tudo ao Criador; e que deseje estar
tal qual o Senhor o quer, são ou doente, por-que todos os que Deus
predestinou para a vida eterna (cfr. At 13,48), instrui-os com os flagelos
e aguilhões das doenças com espírito de compunção,
como diz o Se-nhor: "Eu corrijo e castigo os que amo" (Ap 3,19).
4 E se alguém se perturbar ou irritar, seja contra Deus, seja contra
dos frades, ou se acaso pedir solicitamente remédios desejando
demais libertar a carne que logo vai morrer, que é inimiga da alma,
isso lhe vem do mau e é um carnal, e não pa-rece ser um
dos frades, porque ama mais o corpo do que a alma. |
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XI: QUOD FRATRES NON
BLASPHEMENT NEC DETRAHANT, SED DILIGANT SE AD INVICEM |
XI: QUE OS FRADES NÃO
BLASFEMEM NEM DETRAIAM, MAS SE AMEM MUTUAMENTE |
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1 Et omnes fratres caveant sibi, ut non calumnientur
neque con-tendant verbis (cfr. 2Tim 2,14), 2 immo studeant retinere si-lentium,
quandocumque eis Deus gra-tiam largietur. 3 Neque litigent inter se neque
cum aliis, sed procurent humi-liter respondere dicentes: Inutilis servus
sum (cfr. Lc 17, 10). 4 Et non irascantur, quia omnis qui irascitur fratri
suo, reus erit iudicio; qui dixerit fratri suo raca, reus erit concilio;
qui dixe-rit fatue, reus erit gehennae ignis (Mt 5,22). 5 Et diligant
se ad invicem sicut dicit Dominus: “Hoc est prae-ceptum meum, ut
diligatis invicem, sicut dilexi vos” (Joa 15,12). 6 Et ostendant
ex operibus (cfr. Jac 2,18) dilectionem, quam ha-bent ad invicem, si-cut
dicit apostolus: “Non diligamus verbo neque lingua sed opere et
veritate” (1Joa 3,18). 7 Et neminem blasphement (cfr. Tit 3,2);
8 non murmurent, non detrahant aliis, quia scriptum est: Susur-rones et
detra-ctores Deo sunt odibiles (cfr. Rom 1,29). 9 Et sint modesti omnem
ostendentes mansuetudinem ad omnes homines (cfr. Tit 3, 2); 10 non iudicent,
non condemnent. 11 Et sicut dicit Dominus, non conside-rent minima pecata
alio-rum (cfr. Mt 7, 3; Lc 6, 41), 12 immo magis sua recogitent in ama-ritudine
animae suae (Is 38, 15). 13 Et contendant intrare per angustam portam
(Lc 13, 24), quia dicit Dominus: Angusta porta et arcta via est, quae
ducit ad vitam; et pauci sunt, qui inveniunt eam (Mt 7,14). |
1 E todos os frades guardem-se de ca-luniar e de
contender com palavras (cfr. 2Tm 2, 14), 2 antes esforcem-se por guardar
silêncio, sempre que Deus lhes conceder a graça. 3 Nem litiguem
entre si nem com ou-tros, mas procurem responder humilde-mente dizendo:
Sou um servo inútil (cfr. Lc 17,10). 4 E não se irritem,
porque todo que se irrita com seu irmão será réu
de juízo; o que disser a seu irmão: raca, será réu
do conselho; o que disser: louco, será réu da geena de fogo
(Mt 5,22). 5 E amem-se mutuamente como diz o Senhor: "Este é
o meu preceito, que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei" (Jo
15,12). 6 E mostrem pelas obras (cfr. Tg 2,18) o amor que têm mutuamente,
como diz o apóstolo: "Não amemos de palavra nem de
língua, mas por obra e de verdade" (1Jo 3,18). 7 E não
blasfemem contra nin-guém (cfr. Tt 3,2); 8 não murmurem,
não detraiam os outros, porque está escrito: Os murmu-radores
e detratores são odiosos para Deus (cfr. Rm 1,29). 9 E sejam modestos,
demonstrando toda mansidão para com todos os homens (cfr. Tit 3,2);
10 não julguem, não condenem. 11 E, como diz o Senhor, não
considerem os pequeninos pecados dos outros (cfr. Mt 7,3; Lc 6,41), 12
antes repensem mais os seus na amargura de sua alma (Is 38,15). 13 E lutem
para entrar pela porta estreita (Lc 13,24) porque diz o Senhor: “Estreita
é a porta e áspero o caminho que leva à vida; e são
poucos os que o encontram (Mt 7,14). |
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XII: DE MALO VISU ET
FREQUENTIA MULIERUM |
XII: DOS MAUS OLHARES
E DO TRATO COM AS MULHERES |
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1 Omnes fratres, ubicumque sunt vel vadunt, caveant
sibi a malo visu et fre-quentia mulierum. 2 Et nullus cum eis consilietur
aut per viam vadat solus aut ad mensam in una paropside comedat. 3 Sacerdotes
honeste loquantur cum eis dando poenitentiam vel aliud spirituale consilium.
4 Et nulla penitus mulier ab aliquo fratre recipiatur ad obedien-tiam,
sed dato sibi consilio spirituali, ubi voluerit agat poeni-tentiam. 5
Et multum omnes nos custodiamus et omnia membra nostra munda teneamus,
quia dicit Dominus: Qui viderit mulierem ad concupiscendam eam, iam moechatus
est eam in corde suo (Mt 5,28). 6 Et apostolus: An ignoratis, quia mem-bra
vestra templum sunt Spiritus Sancti? (cfr. 1Cor 6,19); itaque qui templum
Dei viola-verit disperdet illum Deus (1 Cor 3,17). |
1 Todos os frades, onde quer que estão ou
vão, guardem-se dos maus olhares e da freqüência das
mulheres. 2 E ninguém se aconselhe com elas ou vá sozinho
pelo caminho ou coma à mesa no mesmo prato. 3 Os sacerdotes falem
honestamente com elas ao dar a penitência outro conse-lho espiritual.
4 E nenhuma mulher, abso-lutamente, seja recebida à obediência
por um frade, mas, dado o conselho espiritual, faça penitência
onde quiser. 5 E todos guardemo-nos muito e te-nhamos puros todos os nossos
membros, porque diz o Senhor: "Quem olhar uma mulher para desejá-la,
já adulterou com ela em seu coração" (Mt 5,28).
6 E o apóstolo: Será que ignorais que vossos membros são
templo do Espírito Santo? (cfr. 1Cor 6,19); portanto, quem violar
o templo de Deus, Deus o destruirá (1Cor 3,17). |
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XIII: DE VITANDA
FORNICATIONE |
XIII. DE EVITAR
A FORNICAÇÃO |
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1 Si quis fratrum diabolo
instigante for-nicaretur, habitu exuatur, quem pro sua turpi iniquitate
amisit, et ex toto deponat et a nostra religione penitus repellatur. 2
Et postea poenitentiam faciat de peccatis (cfr. 1Cor 5,4-5). |
1 Se algum dos frades,
instigando-o o diabo, fornicar, seja despojado do hábito, que perdeu
por sua torpe iniqüidade, e o deixe totalmente e seja absolutamente
ex-pulso de nossa religião. 2 E depois faça penitência
dos pecados (cfr. 1Cor 5,4-5). |
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XIV: QUOMODO FRATRES
DEBEANT IRE PER MUNDUM |
XIV: COMO OS FRADES
DEVEM IR PELO MUNDO |
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1 Quando fratres vadunt
per mundum, nihil portent per viam ne-que (cfr. Lc 9,3) sacculum (cfr.
Lc 10,4) neque peram neque pa-nem neque pecuniam (cfr. Lc 9,3) neque virgam
(cfr. Mt 10,10). 2 Et in quamcumque domum intrave-rint, dicant primum:
Pax huic domui (cfr. Lc 10,5). 3 Et in eadem domo manentes edant et bibant
quae apud illos sunt (cfr. Lc 10,7). 4 Non resistant malo (cfr. Mt 5,39),
sed qui eos percusserit in una maxilla, prae-beant et alteram (cfr. Mt
5,39 et Lc 6,29). 5 Et qui aufert eis vestimentum, et tunicam non prohibeant
(cfr. Lc 6,29). 6 Omni petenti se tribuant; et qui aufert quae sua sunt,
ea non repetant (cfr. Lc 6,30). |
1 Quando os frades vão
pelo mundo, nada levem pelo caminho, nem (cfr. Lc 9,3) bolsa (cfr. Lc
10,4) nem alforje, nem pão, nem pecúnia (cfr. Lc 9,3), nem
bastão (cfr. Mt 10,10). 2 E em cada casa em que entrarem, digam
primeiro: Paz a esta casa (cfr. Lc 10,5). 3 E permanecendo na mesma casa,
comam e bebam o que há lá com eles (cfr. Lc 10,7). 4 Não
resistam ao malvado (cfr. Mt 5,39), mas ao que lhes bater em uma face,
ofereçam também a outra (cfr. Mt 5,39 e Lc 6,29). 5 E ao
que lhes tira o manto, não lhe proíbam também a túnica
(cfr. Lc 6,29). 6 Dêem a todo que lhes peça; e ao que lhes
toma o que é seu, não o reclamem (cfr. Lc 6,30). |
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XV: QUOD FRATRES
NON EQUITENT |
XV: QUE OS FRADES
NÃO ANDEM A CAVALO |
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1 Iniungo omnibus fratribus
meis tam clericis quam laicis eun-tibus per mundum vel morantibus in locis,
quod nullo modo apud se nec apud alium nec alio aliquo modo bestiam aliquam
habeant. 2 Nec eis liceat equitare, nisi infirmitate vel magna necessitate
cogantur. |
1 Imponho a todos os
meus frades, tanto clérigos como leigos, que vão pelo mundo
ou que moram nos lugares, que de nenhum modo tenham consigo algum animal.
2 Nem lhes seja permitido caval-gar, a menos que sejam obrigados por en-fermidade
ou grande necessidade. |
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XVI: DE EUNTIBUS
INTER SARRACENOS ET ALIOS INFIDELES |
XVI: DOS QUE VÃO
ENTRE OS SARRACENOS E OUTROS INFIÉIS |
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1 Dicit Dominus: Ecce
ego mitto vos si-cut oves in medio lupo-rum. 2 Estote ergo prudentes sicut
serpentes et simplices sicut colum-bae” (Mt 10,16). 3 Unde quicumque
frater voluerit ire inter saracenos et alios infideles, vadat de licentia
sui ministri et servi. 4 Et minister det eis licentiam et non contradicat,
si viderit eos idoneos ad mit-tendum; nam tenebitur Domino reddere ratio-nem
(cfr. Lc 18,2), si in hoc vel in aliis processerit indiscrete. 5 Fratres
vero, qui vadunt, duobus mo-dis inter eos possunt spi-ritualiter conver-sari.
6 Unus modus est, quod non faciant lites neque contentiones, sed sint
subditi omni humanae creaturae propter Deum (1Petr 2,13) et confiteantur
se esse chris-tianos. 7 Alius modus est, quod, cum viderint placere Domino,
annun-tient verbum Dei, ut credant Deum omnipotentem, Patrem et Filium
et Spiritum Sanctum, creatorem omnium, redemptorem et salvatorem Fi-lium,
et ut baptizentur et efficiantur chris-tiani, quia qui renatus non fuerit
ex aqua et Spiritu Sancto, non potest intrare in regnum Dei (cfr. Joa
3,5). 8 Haec et alia, quae placuerint Domino, ipsis et aliis dicere pos-sunt,
quia dicit Do-minus in evangelio: “Omnis, qui confitebi-tur me coram
hominibus, confitebor et ego eum coram Patre meo, qui in caelis est”
(Mt 10,32). 9 Et: “Qui erubuerit me et ser-mones meos, et Filius
hominis erubescet eum, cum venerit in maiestate sua et Patris et an-gelorum”
(cfr. Lc 9,26). 10 Et omnes fratres, ubicumque sunt, recordentur, quod
dederunt se et reli-que-runt corpora sua Domino Jesu Christo. 11 Et pro
eius amore debent se exponere ini-micis tam visibilibus quam invisibili-bus;
quia dicit Dominus: “Qui perdiderit ani-mam suam propter me, salvam
faciet eam (cfr. Lc 9,24) in vi-tam aeternam” (Mt 25, 46). 12 ”Beati
qui persecutionem pa-tiuntur propter iustitiam, quoniam ipso-rum est regnum
caelorum” (Mt 5,10). 13 “Si me persecuti sunt, et vos persequentur”
(Joa 15,20). 14 Et: Si persequuntur vos in una civitate, fugite in aliam
(cfr. Mt 10,23). 15 Beati estis (Mt 5,11), cum vos oderint homines (Lc
6,22) et maledixerint vobis (Mt 5,11) et persequentur vos (cfr. l.c.)
et separaverint vos et exprobraverint et eiecerint nomen vestrum tamquam
malum (Lc 6,22) et cum dixerint omne malum adver-sum vos mentientes propter
me (Mt 5, 11). 16 Gaudete in illa die et exsultate (Lc 6,23), quoniam
merces vestra multa est in caelis (cfr. Mt 5,12). 17 Et ego dico vobis
amicis meis, non terreamini ab his (cfr. Lc 12,4), 18 et nolite timere
eos qui occidunt corpus (Mt 10,28) et post hoc non habent amplius quid
faciant (Lc 12,4). 19 Videte, ne turbemini (Mt 24,6). 20 In patientia
enim vestra pos-sidebitis animas vestras (Lc 21,19), 21 et qui per-severaverit
usque in finem, hic salvus erit (Mt 10,22; 24,13). |
1 Diz o Senhor: "Eis
que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. 2 Sede portanto prudentes
como as serpentes e simples como as pombas" (Mt 10,16). 3 Por isso
qualquer frade que quiser ir entre sarracenos e outros infiéis,
vá com a licença de seu ministro e servo. 4 O mi-nistro
dê-lhes a licença e não contradiga, se os vir idôneos
para serem mandados; pois deverá prestar contas a Deus (cfr. Lc
18,2) se nisso ou em outras coisas proce-der indiscretamente. 5 Mas os
frades que vão, podem com-portar-se espiritualmente entre eles
de dois modos. 6 Um modo é que não façam nem litígios
nem contendas, mas estejam submetidos a toda criatura humana por Deus
(1Pd 2,13) e confessem que são cristãos. 7 Outro modo é
que, quando virem que agrada ao Senhor, anunciem a palavra de Deus, para
que creiam em Deus onipoten-te, Pai e Filho e Espírito Santo, criador
de tudo, no Filho redentor e salvador, e que sejam batizados e se tornem
cristãos, por-que quem não renascer da água e do
Espí-rito Santo não pode entrar no reino de Deus (cfr. Jo
3,5). 8 Estas e outras coisas, que agradarem ao Senhor, podem dizer a
eles e a outros, porque diz o Senhor no evangelho: "Todo que me confessar
diante dos homens, tam-bém eu o confessarei diante de meu Pai,
que está nos céus" (Mt 10,32). 9 E "Quem se envergonhar
de mim e de minhas pala-vras, também o Filho do homem o enver-gonhará
quando vier na majestade sua e do Pai e dos anjos" (cfr. Lc 9,26).
10 E todos os frades, onde quer que es-tão, lembrem que se deram
e cederam seus corpos ao Senhor Jesus Cristo. 11 E por seu amor devem
se expor aos inimigos tanto visíveis como invisíveis; porque
diz o Senhor: "Quem perder a sua alma por mim, vai salvá-la
(cfr. Lc 9,24) para a vida eterna" (Mt 25,46). 12 "Bem-aventurados
os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque
deles é o reino dos céus" (Mt 5,10). 13 "Se me
perseguiram, perse-guirão também a vós" (Jo
15,20). 14 E Se vos perseguirem em uma cidade, fugi para outra (cfr. Mt
10,23). 15 Bem-aventurados sois (Mt 5,11) quando os homens vos odiarem
(Lc 6,22) e vos amaldiçoarem (Mt 5,11) e vos perseguirem (cfr.
l.c.) e vos separarem e e exprobarem e lançarem vosso nome como
mau (Lc 6,22) e quando disserem todo mal contra vós, mentindo,
por minha causa (Mt 5,11). 16 Alegrai-vos nesse dia e exultai (Lc 6,23),
porque muita é a vossa recompensa no céu (cfr. Mt 5,12).
17 E eu vos digo, a vós meus amigos, não vos aterrorizeis
por eles (cfr. Lc 12,4), 18 e não temais os que matam o corpo (Mt
10,28) e depois não têm mais o que fazer (Lc 12,4). 19 Vêde
de não vos perturbar (Mt 24,6). 20 Pois em vossa paciência
pos-suireis vossas almas (Lc 21,19), 21 e quem perseverar até o
fim, esse será salvo (Mt 10,22; 24,13). |
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XVII: DE PRAEDICATORIBUS |
XVII: DOS PREGADORES |
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1 Nullus frater praedicet
contra for-mam et institutionem sanctae ecclesiae et nisi concessum sibi
fuerit a ministro suo. 2 Et caveat sibi minister, ne alicui indiscrete
concedat. 3 Omnes tamen fratres ope-ribus prae-dicent. 4 Et nullus minister
vel praedicator appropriet sibi ministerium fratrum vel of-ficium pradicationis,
sed quacumque hora ei in-iunctum fuerit, sine omni contradic-tione dimittat
suum offi-cium. 5 Unde de-precor in caritate, quae Deus est (cfr. l Joa
4,l6), omnes fratres meos prae-dicatores, oratores, laboratores, tam cle-ricos
quam laicos, ut studeant se humiliare in omni-bus, 6 non gloriari nec
in se gaudere nec interius se exaltare de bonis verbis et ope-ribus, immo
de nullo bono, quod Deus fa-cit vel dicit et operatur in eis aliquando
et per ipsos, secundum quod dicit Dominus: “Verumtamen in hoc nolite
gaudere, quia spi-ritus vobis subiciuntur” (Lc 10,20). 7 Et firmiter
sciamus, quia non pertinent ad nos nisi vitia et peccata. 8 Et magis debemus
gaudere, cum in tentationes varias incidere-mus (cfr. Jac l,2) et cum
sustineremus quascumque animae vel corporis angustias aut tribulationes
in hoc mundo propter vi-tam aeternam. 9 Omnes ergo fratres caveamus ab
om-ni superbia et vana gloria; 10 et custodia-mus nos a sapientia huius
mundi et a pru-dentia carnis (Rom 8,6); 11 spiritus enim carnis vult et
studet multum ad verba ha-benda, sed parum ad operationem, 12 et quaerit
non religionem et sanctitatem in interiori spiritu, sed vult et desiderat
ha-bere religionem et sanctitatem foris appa-rentem hominibus. 13 Et isti
sunt, de quibus dicit Dominus: “Amen dico vobis, rece-perunt mercedem
suam” (Mt 6,2). 14 Spiritus autem Domini vult mortifi-catam et despectam,
vilem et abiectam esse carnem. 15 Et studet ad humilitatem et patien-tiam
et puram et simplicem et veram pacem spiritus. 16 Et semper super omnia
desiderat di-vinum timorem et divinam sapientiam et divinum amorem Patris
et Filii et Spiritus Sancti. 16 Et omnia bona Domino Deo Altis-simo et
summo reddamus et omnia bona ipsis esse congnoscamus et de omnibus ei
gratias referamus, a quo bona cuncta pro-cedunt. 18 Et ipse altissimus
et summus, solus verus Deus habeat et ei reddantur et ipse recipiat omnes
honores et reverentias, omnes laudes et benedictiones, omnes gra-tias
et gloriam, cuius est omne bonum, qui solus est bonus (cfr. Lc 18,19).
19 Et quando nos videmus vel audimus malum dicere vel facere vel blasphemare
Deum, nos benedicamus et bene faciamus et laudemus Deum (cfr. Rom 12,21),
qui est benedictus in saecula (Rom 1,25). |
1 Nenhum frade pregue
contra a forma e a instituição da santa igreja e se não
lhe for concedido pelo seu ministro. 2 E guar-de-se o ministro de concedê-lo
indiscreta-mente a alguém. 3 Mas todos os frades pre-guem com as
obras. 4 E nenhum ministro ou pregador se aproprie do ministério
dos frades ou do ofício da pregação, mas, em qualquer
hora que lhe for mandado, sem nenhuma con-tradição deixe
o seu ofício. 5 Por isso peço na caridade, que é
Deus (cfr. 1Jo 4,16), a todos os meus frades pregadores, oradores, trabalhadores,
tanto clérigos como leigos, que tratem de se humilhar em tudo,
6 não gloriar-se nem gozar em si mesmos nem se exaltar interiormente
por boas palavras e obras, mesmo por nenhum bem, que Deus faz ou diz ou
opera neles alguma vez e por eles, segundo o que diz o Senhor: "Mas
não vos alegreis nisso que os espíritos se vos submetem"
(Lc 10,20). 7 E saibamos firmemente que a nós não pertencem
senão os vícios e pecados. 8 E mais devemos nos alegrar
quando cairmos em várias tentações (cfr. Tg 1,2)
e quando suportarmos quaisquer angústias da alma ou do corpo ou
tribulações neste mundo por causa da vida eterna. 9 Guardemo-nos,
pois, todos os frades, de toda soberba e vanglória; 10 e guarde-mo-nos
da sabedoria deste mundo e da prudência da carne (Rm 8,6); 11 pois
o espírito da carne quer e se esforça muito por ter palavras,
mas pouco pelas obras, 12 e busca não a religião e a santidade
no espírito interior, mas quer e deseja ter religião e santidade
que apareçam fora para os homens. 13 E estes são aqueles
de quem diz o Senhor: "Em verdade vos digo, receberam sua recompensa"
(Mt 6,2). 14 Mas o espí-rito do Senhor quer que a carne seja morti-ficada
e desprezada, vil e abjeta. 15 E se esforça pela humildade e paciência
e pura e simples e verdadeira paz de espírito. 16 E sempre sobre
todas as coisas deseja o di-vino temor e a divina sabedoria e o divino
amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 17 E devolvamos todos
os bens ao Senhor Deus Altíssimo e sumo e reconhe-çamos
que todos os bens são dele e demos graças por tudo a ele,
de quem todos os bens procedem. 18 E o mesmo altíssimo e sumo,
o único verdadeiro Deus tenha e lhe sejam tributadas todas as honras
e reverências, todos os louvores e bênçãos,
todas as gra-ças e glória, de quem é todo bem, o
único que é bom (cfr. Lc 18,19). 19 E quando vemos ou ouvimos
dizer ou fazer o mal ou blasfemar a Deus, nós bendigamos e façamos
o bem, e louve-mos a Deus (cfr. Rm 12,21), que é bendito pelos
séculos (Rm 1,25). |
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XVIII: QUALITER
MINISTRI CONVENIANT AD INVICEM |
XVIII: COMO OS
MINISTROS DEVEM REUNIR-SE |
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1 Quolibet anno unusquisque
minister cum fratribus suis possit convenire, ubi-cumque placuerit eis,
in festo sancti Mi-chaelis archangeli de his quae ad Deum pertinent, tractaturus.
2 Omnes enim mi-nistri, qui sunt in ultramarinis et ultramon-ta-nis partibus,
se-mel in tribus annis, et alii ministri semel in an-no veniant ad capitu-lum
Pentecostes apud ecclesiam sanctae Mariae de Por-tiuncula, nisi a ministro
et servo totius fra-terni-tatis aliter fuerit ordi-natum. |
1 Cada ministro pode
reunir-se cada ano com seus frades, onde quer que lhes aprouver, na festa
de São Miguel arcanjo, para tratar das coisas que pertencem a Deus.
2 Mas s todos os ministros que estão nas regiões ultramarinas
e ultramontanas, uma vez cada três anos, e os outros minis-tros
uma vez por ano, venham ao capítulo de Pentecostes junto à
igreja de Santa Ma-ria da Porciúncula, a não ser que pelo
ministro e servo de toda a fraternidade te-nha sido determinado diferentemente.
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XIX: QUOD FRATRES
VIVANT CATHOLICE |
XIX: QUE OS FRADES
VIVAM CATOLICAMENTE |
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1 Omnes fratres sint
catholici, vivant et loquantur catholice. 2 Si quis vero erra-verit a
fide et vita catholica in dicto vel in fac-to et non se emendaverit, a
nostra fraternitate penitus expella-tur. 3 Et omnes clericos et omnes
religiosos habeamus pro dominis in his quae spectant ad salutem animae
et a nostra religione non deviaverint; et ordinem et officium eorum et
administra-tionem in Domino ve-neremur. |
1 Todos os frades sejam
católicos, vi-vam e falem catolicamente. 2 Mas se al-guém
se desviar da fé e vida católica de palavra ou fato e não
se emendar, seja absolutamente expulso de nossa fraternida-de. 3 Tenhamos
todos os clérigos e todos os religiosos como senhores nas coisas
que dizem respeito à salvação da alma e não
desviarem da nossa religião; e veneremos no Senhor sua ordem e
ofício e ministério. |
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XX: DE POENITENTIA
ET RECEPTIONE CORPORIS ET SANGUINIS DOMINI NOSTRI JESU CHRISTI |
XX: DA PENITÊNCIA
E DA RECEPÇÃO DO CORPO E DO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS
CRISTO |
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1 Et fratres mei benedicti
tam clerici quam laici confiteantur pec-cata sua sacer-dotibus nostrae
religionis. 2 Et si non po-tuerint, confiteantur aliis discretis et ca-tholicis
sa-cerdotibus scientes firmiter et attendentes, quia a quibuscum-que sacer-dotibus
catholicis acceperint poe-nitentiam et absolu-tionem, absoluti erunt procul
du-bio ab illis peccatis, si poeniten-tiam sibi iniunctam procuraverint
humili-ter et fide-liter ob-servare. 3 Si vero tunc non potuerint habere
sacerdotem, confiteantur fra-tri suo, sicut dicit apostolus Jacobus: “Confitemini
alterutrum peccata vestra” (Jac 5,16). 4 Non tamen propter hoc dimittant
re-currere ad sacerdotem, quia potestas ligan-di et solvendi solis sacerdotibus
est con-cessa. 5 Et sic contriti et confessi sumant corpus et sanguinem
Domini nostri Jesu Christi cum magna humilitate et venera-tione recor-dantes,
quod Dominus dicit: Qui manducat carnem meam et bibit sanguinem meum habet
vitam aeternam (cfr. Joa 6,54); 6 et “Hoc facite in meam commemorationem”
(Lc 22,19). |
1 E meus frades benditos,
tanto clérigos como leigos, confessem seus pecados a sacerdotes
de nossa religião. 2 E se não puderem, confessem-nos a outros
sacerdotes discretos e católicos, sabendo firme-mente e pensando
que, de quaisquer sacer-dotes católicos receberem penitência
e absolvição, serão sem dúvida absolvidos
desses pecados se procurarem cumprir hu-milde e devotamente a penitência
que lhes for imposta. 3 Mas, se então não puderem ter sacer-dote,
confessem-se com um irmão seu, como diz o apóstolo Tiago:
"Confessai um ao outro vossos pecados" (Tg 5,16). 4 Mas nem
por isso deixem de recorrer ao sacer-dote, porque o poder de ligar e desligar
só aos sacerdotes foi concedido. 5 E assim contritos e confessados
rece-bam o corpo e o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo com grande humildade
e ve-neração, lembrando que o Senhor diz: Quem come a minha
carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna (cfr. Jo 6,54); 6 e "Fazei
isso para minha comemoração" (Lc 22,19). |
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XXI: DE LAUDE
ET EXHORTATIONE, QUAM POSSUNT OMNES FRATRES FACERE |
XXI: DO LOUVOR
E EXORTAÇÃO QUE TODOS OS FRADES PODEM FAZER |
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1 Et hanc vel talem exhortationem
et laudem omnes fratres mei, quandocumque placuerit eis, annuntiare possunt
inter quoscumque homines cum benedictione Dei: 2 Timete et honorate, laudate
et be-nedicite, gratias agite (1 Thess 5,18) et adorate Dominum Deum omnipotentem
in trinitate et unitate, Patrem et Filium et Spiritum Sanctum, crea-torem
omnium. 3 Agite poenitentiam (cfr. Mt 3,2), facite dignos fructus poenitentiae
(cfr. Lc 3,8), quia cito moriemur. 4 “Date et dabitur vo-bis”
(Lc 6,38). 5 Dimittite et dimittetur vobis (cfr. Lc 6,37). 6 Et si non
dimiseritis hominibus peccata eorum (Mt 6,14), Do-minus non dimittet vobis
peccata vestra (Mc 11, 25); confitemini omnia peccata vestra (cfr. Jac
5,16). 7 Beati qui moriuntur in poenitentia, quia erunt in regno caelo-rum.
8 Vae illis qui non moriuntur in poeni-tentia, quia erunt filii diaboli
(1Joa 3,10), cuius opera faciunt (cfr. Joa 8,41) et ibunt in ignem ae-ternum
(Mt 18,8;25,41). 9 Cavete et abs-tinete ab omni malo et perseverate usque
in finem in bono. |
1 E todos os meus frades
podem anun-ciar esta ou semelhante exortação e lou-vor,
quando lhes aprouver, entre quaisquer pessoas, com a bênção
de Deus: 2 Temei e honrai, louvai e bendizei, dai graças (1Ts 5,18)
e adorai o Senhor Deus onipotente na trindade e na unidade, Pai e Filho
e Espírito Santo, criador de tudo. 3 Fazei penitência (cfr.
Mt 3,2), fazei frutos dignos de penitência (cfr. Lc 3,8), porque
logo morreremos. 4 “Dai e vos será dado" (Lc 6,38).
5 Perdoai e vos será perdoado (cfr. Lc 6,37). 6 E se não
perdoardes aos homens os seus pecados (Mt 6,14), o Senhor não perdoará
os vossos pecados (Mc 11,25); confessai todos os vossos pecados (cfr.
Tg 5,16). 7 Bem-aventurados os que morrem em penitência, porque
estarão no reino dos céus. 8 Ai dos que não morrem
em peni-tência, porque serão filhos do diabo (1Jo 3,10),
cujas obras fazem (cfr. Jo 8,41) e irão para o fogo eterno (Mt
18,8; 25,41). 9 Guardai-vos e abstei-vos de todo mal e perseverai até
o fim no bem. |
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XXII: DE ADMONITIONE
FRATRUM |
XXII: DA ADMOESTAÇÃO
DOS FRADES |
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1 Attendamus omnes fratres
quod dicit Dominus: Diligite inimi-cos vestros et be-nefacite his qui
oderunt vos (cfr. Mt 5, 44 par.), 2 quia Dominus noster Jesus Chris-tus,
cuius sequi vestigia debe-mus (cfr. 1Petr 2,21), traditorem suum vocavit
ami-cum (cfr. Mt 26,50) et crucifixoribus suis sponte se obtulit. 3 Amici
igitur nostri sunt omnes illi qui nobis iniuste inferunt tribulationes
et angustias, verecundias et iniurias, dolores et tormenta, martyrium
et mortem; 4 quos multum diligere debemus, quia ex hoc quod nobis infe-runt,
habemus vi-tam aeternam. 5 Et odio habeamus corpus nostrum cum vitiis
et peccatis suis; quia carnaliter vivendo vult diabolus a nobis auferre
amo-rem Jesu Christi et vitam aeternam et se ipsum cum omnibus perde-re
in infernum; 6 quia nos per culpam nostram sumus foetidi, miseri et bono
contrarii, ad mala autem prompti et voluntarii, quia, sicut Dominus dicit
in evangelio: 7 De corde procedunt et exeunt cogita-tiones malae, adulteria,
fornicationes, ho-micidia, furta, avaritia, nequitia, dolus, impu-dicitia,
o-culus malus, falsa testimo-nia, blasphemia, stultitia (cfr. Mc 7,21;
Mt 15,19). 8 Haec omnia mala ab intus de corde hominis procedunt (cfr.
Mc 7,73) et “haec sunt, quae coinquinant hominem” (Mt 15,20).
9 Nunc autem, postquam dimisimus mundum, nihil habemus facere, nisi sequi
voluntatem Domini et placere sibi ipsi. 10 Multum caveamus, ne simus terra
secus viam vel petrosa vel spinosa, secun-dum quod dicit Dominus in evangelio:
11 Semen est verbum Dei (Lc 8,11). 12 Quod autem secus viam cecidit et
conculcatum est (cfr. Lc 8,5), hi sunt qui audiunt (Lc 8,12) verbum et
non intel-ligunt (cfr. Mt 13,19); 13 et confestim (Mt 4,15) venit diabolus
(Lc 8,12) et rapit (Mt 13,19), quod seminatum est in cordibus eorum (Mc
4, 15) et tollit verbum de cordi-bus eorum, ne credentes salvi fiant (Lc
8,12). 14 Quod autem super petrosam cecidit (cfr. Mt 13, 20), hi sunt,
qui cum audierint verbum, statim cum gaudio (Mc 4,16) suscipiunt (Lc 8,13)
illud (Mc 4,l6). 15 Facta autem tribulatione et persecutione propter verbum,
continuo scandalizantur (Mt 13, 21) et hi radicem in se non habent, sed
temporales sunt (cfr. Mc 4,17), quia ad tempus credunt et in tempore tentationis
recedunt (Lc 8,13). 16 Quod autem in spinis cecidit, hi sunt (Lc 8,14)
qui ver-bum Dei audiunt (cfr. Mc 4,18), et sollicitudo (Mt 13,22) et aerum-nae
(Mc 4,19) istius saeculi et fallatia divitia-rum (Mt 13,22) et circa reliqua
con-cupiscentiae in-troeuntes suffocant verbum et sine fructu efficiuntur
(Mc 4,19). 17 Quod autem in terram bonam (Lc 8, 15) seminatum est (Mt
13,23), hi sunt, qui in corde bono et optimo audientes verbum (Lc 8,15)
intelligunt et (cfr. Mt 13,23) re-tinent et fructum afferunt in patientia
(Lc 8,15). 18 Et propterea nos fratres, sicut dicit Dominus, dimittamus
mortuos sepelire mortuos suos (Mt 8, 22). 19 Et multum ca-veamus a malitia
et subtilitate satanae, qui vult, quod homo mentem suam et cor non habeat
ad Deum. 20 Et circuiens desiderat cor hominis sub specie alicuius mer-ceclis
vel adiutorii tollere et sufocare verbum et prae-cepta Domini a memoria
et volens cor hominis per sae-cularia negotia et curam excaecare et ibi
habitare, sicut dicit Domi-nus: 21 Cum immundus spiritus exierit ab homine,
ambulat per loca arida (Mt 12, 43) et inaquosa quaerens requiem; et non
inveniens dicit: 22 Revertar in domum meam, unde exivi (Lc 11,24). 23
Et veniens invenit eam vacantem scopis mundatam et or-natam (Mt 12,44).
24 Et vadit et as-sumit alios septem spiritus nequiores se, et ressi habitant
ibi, et sunt novissima ho-minis illius peiora prioribus (cfr. Lc 11, 26).
25 Unde, omnes fratres, custodiamus nos multum, ne sub specie alicuius
mer-cedis vel operis vel adiutorii perda-mus vel tollamus nostram mentem
et cor a Do-mino. 26 Sed in sancta caritate, quae Deus est (cfr. 1Joa
4, 17), rogo omnes fratres tam ministros quam alios, ut omni impedimen-to
remoto et omni cura et sollicitudine postposita, quocumque modo melius
pos-sunt, servire, amare, hono-rare et adorare Dominum Deum mundo corde
et pura mente faciant, quod ipse super omnia quaerit. 27 Et semper faciamus
ibi habita-culum et mansionem (cfr. Joa 14,23) ipsi, qui es Dominus Deus
omnipotens, Pater et Filius et Spiritus Sanctus, qui dicit: Vi-gilate
itaque omni tempore orantes, ut digni habeamini fugere omnia mala, quae
ventura sunt et stare ante Filium hominis (Lc 21,39). 28 Et cum stabitis
ad orandum (Mc 11, 25) dicite (Lc 11, 2): Pater noster qui es in caelis
(Mt 6,9) 29 Et adoremus eum puro corde, quoniam oportet semper orare et
non deficere (Lc 18,1); 30 nam Pater tales quaerit adoratores. 31 Spiritus
est Deus et eos qui adorant eum, in spiritu et veritate oportet eum adorare
(cfr. Joa 4, 23-24). 32 Et ad ipsum recurramus tamquam ad pastorem et
episcopum animarum nostrarum (1Petr 2,25), Qui dicit: Ego sum pastor bonus,
qui pasco oves meas et pro ovibus meis pono animam meam (cfr. Joa 10,14-15).
33 Omnes vos fratres estis. 34 et patrem nolite vobis vocare super terram,
unus est enim Pater vester, qui in caelis est. 35 Nec vocemini magistri:
unus est enim magister vester, qui in caelis est (cfr. Mt 23,8-10). 36
Si manseritis in me, et verba mea in vobis manserint, quodcumque volueritis,
petetis et fiet vobis (Joa 15,7). 37 Ubicumque sunt duo vel tres congregati
in nomine meo, ibi sum in medio eorum (Mt 18,20). 38 Ecce ego sum vobiscum
usque ad consummationem saeculi (Mt 28,20). 39 Verba, quae locutus sum
vobis spiritus et vita sunt (Joa 6,64). 40 Ego sum via, veritas et vita
(Joa 14,6). 41 Teneamus ergo verba, vitam et doctrinam et sanctum eius
evangelium, Qui dignatus est pro nobis rogare Patrem suum et nobis eius
nomen manifestare dicens: Pater clarifica nomen tuum (Joa 12,28) et clarifica
Filium tuum, ut Filius tuus clarificet te (Joa 17,1). 42 Pater, manifestavi
nomen tuum hominibus, quos dedisti mihi (Joa 17,6); quia verba quae dedisti
mihi, dedi eis: et ipsi acceperunt et cognoverunt, quia a te exivi et
crediderunt quia tu me misisti. 43 Ego pro eis rogo, non pro mundo. 44
sed pro his quos dedisti mihi, quia tui sunt et omnia mea tua sunt (Joa
17,8-10). 45 Pater sancte, serva eos in nomine tuo quos dedisti mihi,
ut ipsi sint unum sicut et nos (Joa 17,11b). 46 Haec loquor in mundo,
ut habeant gaudium in semetipsis. 47 Ego dedi eis sermonem tuum: et mundus
eos odio habuit, quia non sunt de mundo, sicut et ego non sum de mundo.
48 Non rogo ut tollas eos de mundo, sed ut serves eos a malo (Joa 17,13b-15).
49 Mirifica eos in veritate. 50 Sermo tuus veritas est. 51 Sicut tu me
misisti in mundum, et ego misi eos in mundum. 52 Et pro eis santifico
meipsum, ut sint ipsi sanctificati in veritate. 53 Non pro eis rogo tantum,
sed pro eis, qui credituri sunt ppropter verbum eorum in me (cfr. Joa
17,17-20), ut sint consummati in unum, et cognoscat mundus, quia tu me
misisti et dilexisti eos, sicut me dilexisti (Joa 17,23). 54 Et notum
faciam eis nomen tuum, ut dilectio qua dilexisti me, sit in ipsis et ego
in ipsis (cfr. Joa 17,26). 55 Pater, quos dedisti mihi, volo, ut ubi ego
sum, et illi sint me-cum, ut videant claritatem tuam (Joa 17, 24) in regno
tuo. Amen. |
1 Atendamos todos os
frades, porque diz o Senhor: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos
que vos odeiam (cfr. Mt 5,44 par.), 2 porque nosso Senhor Jesus Cristo,
cujos vestígios devemos seguir (cfr. 1Pd 2,21), chamou seu traidor
de amigo (cfr. Mt 26,50) e se ofereceu espontanea-mente aos que o crucificaram.
3 São, portanto, amigos nossos todos aqueles que injustamente nos
causam tri-bulações e angústias, vergonhas e injúrias,
dores e tormentos, martírio e morte; 4 aos quais devemos amar muito,
porque temos a vida eterna por aquilo que nos causam. 5 E tenhamos ódio
a nosso corpo com seus vícios e pecados; porque, vivendo carnalmente,
quer o diabo arrebatar-nos o amor de Jesus Cristo e a vida eterna e perder
a si mesmo com todos no inferno; 6 porque nós por nossa culpa somos
fe-didos, miseráveis e contrários ao bem, mas prontos para
o mal e voluntariosos, por-que, como diz o Senhor no evangelho: 7 Do coração
procedem e saem os maus pensamentos, adultérios, fornicações,
homicídios, furtos, avareza, maldade, dolo, impudicícia,
inveja, falsos testemu-nhos, blasfêmias, insensatez (cfr. Mc 7,21-23;
Mt 15,19). 8 Todos estes males procedem de dentro, do coração
do homem (cfr. Mc 7,73) e "são essas coisas que mancham o
homem" (Mt 15,20). 9 Mas agora, depois que deixamos o mundo, nada
temos que fazer senão seguir a vontade do Senhor e agradar-lhe.
10 Guardemo-nos muito de não ser terra junto do caminho, empedrada
e espinhosa, conforme diz o Senhor no evangelho: 11 A semente é
a palavra de Deus (Lc 8,11). 12 Mas a que caiu junto do caminho e foi
pisada (cfr. Lc 8,5), estes são os que ouvem (Lc 8,12) a palavra
e não entendem (cfr. Mt 13,19); 13 e logo (Mt 4,15) vem o diabo
(Lc 8,12) e arrebata (Mt 13,19), o que foi semeado no coração
deles (Mc 4,15) e tira a palavra dos seus corações, para
que, crendo, não se salvem (Lc 8,12). 14 A que caiu em terra pedregosa
(cfr. Mt 13,20) são aqueles que, quando ouvem a palavra, logo com
alegria (Mc 4,16) a recebem (Lc 8,13), 15 Mas quando vem a tribulação
e perseguição por causa da palavra, imediatamente se escandalizam
(Mt 13,21) e estes não têm raiz em si mes-mos, mas são
temporários (cfr. Mc 4,17), porque crêem por um tempo e no
tempo da tentação retrocedem (Lc 8,13). 16 Mas a que caiu
entre espinhos, estes são (Lc 8,14) os que ouvem a palavra de Deus
(cfr. Mc 4,18), e a preocupação (Mt 13,22) e as fadigas
(Mc 4,19) deste século e o engano das riquezas (Mt 13,22) e as
concupiscências acerca das outras coisas, entrando sufocam a palavra
e tornam-se sem fruto (Mc 4,19). 17 Mas a que em terra boa (Lc 8,15) foi
semeada (Mt 13,23), são aqueles que, ouvindo a palavra com coração
bom e ótimo (Lc 8,15) a entendem e (cfr. Mt 13, 23) retêm
e produzem fruto na paciência (Lc 8,15). 18 E por isso nós,
frades, como diz o Senhor, deixemos os mortos enterrarem os seus mortos
(Mt 8,22). 19 E guardemo-nos muito da malícia e sutileza de satanás,
que quer que o homem não tenha sua men-te e coração
voltados para Deus. 20 E dan-do voltas deseja levar o coração
do homem sob aparência de alguma mercê ou ajuda e sufocar
da memória a palavra e os pre-ceitos do Senhor e quer cegar o coração
do homem por meio dos negó-cios secula-res e dos cuidados e aí
habitar, como diz o Senhor: 21 Quando o espírito imundo sai do
homem, anda por lugares áridos e se-cos (Mt 12,43) buscando des-canso;
e não achando diz: 22 Voltarei para minha casa, de onde saí
(Lc 11,24). 23 E vindo encon-tra-a vazia, varrida e enfei-tada (Mt 12,44).
24 E vai e toma outros sete espíritos piores do que ele e, entrando,
moram aí, e o fim daquele homem fica pior do que o começo
(cfr. Lc 11,26). 25 Por isso, irmãos todos, guardemo-nos muito,
para que sob a aparência de alguma mercê, ou obra ou ajuda,
não per-camos ou tiremos do Senhor nossa mente e coração.
26 Mas na santa caridade, que é Deus (cfr. 1Jo 4,17), rogo todos
os frades, tanto ministros como os outros, afastado todo impedimento e
posposto todo cuida-do e solicitude, no melhor modo que pude-rem, façam
servir, amar, honrar e adorar o Senhor Deus de coração limpo
e mente pura, que ele busca acima de tudo, 27 e sempre façamos
aí habitação e morada (cfr. Jo 14,23) para aquele
que é o Senhor Deus onipotente, Pai e Filho e Espírito Santo,
que diz: Vigiai, pois, orando todo o tempo, para serdes tidos como dignos
de escapar de todos os males que virão e estar diante do Filho
do homem (Lc 21,39). 28 E quando estais em pé para orar (Mc 11,25)
dizei (Lc 11,2): Pai nosso que estás nos céus (Mt 6,9).
29 E adoremo-lo de cora-ção puro, porque é preciso
orar sempre e não desfalecer (Lc 18,1); 30 pois o Pai bus-ca tais
adoradores. 31 Deus é espírito e os que o adoram é
preciso que o adorem em espírito e verdade (cfr. Jo 4,23-24). 32
E recorramos a ele como ao pastor e bispo de nossas almas (1Pd 2,25),
que diz: Eu sou o bom pastor, que apascento minhas ovelhas e por minhas
ovelhas ex-ponho minha alma. 33 Todos vós sois irmãos; 34
e não cha-meis pai entre vós sobre a terra, pois um só
é o vosso Pai, que está nos céus. 35 Nem chameis
mestres; pois um é o vosso mestre, que está nos céus
(cfr. Mt 23,8-10). 36 Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem
em vós, tudo que quiserdes, pedi e vos será feito (Jo 15,7).
37 Onde quer que haja dois ou três congregados no meu nome, aí
estou no meio deles (Mt 18,20). 38 Eis que eu estou convosco até
a consumação dos séculos (Mt 28,20). 39 As palavras
que vos disse são espírito e vida (Jo 14,6). 40 Eu sou o
caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). 41 Mantenhamos portanto as palavras,
a vida e a doutrina e o seu santo evangelho, que dignou-se rogar por nós
ao seu Pai e manifestar-nos seu nome dizendo: Pai, clarifica o teu nome
(Jo 12,28) e clarifica o teu Filho, para que o Filho te clarifique (Jo
17,1). 42 Pai, manifestei o teu nome aos ho-mens, que me deste (Jo 17,6);
porque as palavras que me deste, dei a eles; e eles te aceitaram e conheceram,
porque de ti saí e creram que tu me enviaste. 43 Eu rogo por eles,
não pelo mundo, 44 mas por aqueles que me deste, porte são
teus e tudo que é meu é teu (Jo 17,8-10). 45 Pai santo,
guarda-os no teu nome, os que me deste, para que eles sejam um as-sim
como nós (Jo 17,11). 46 Falo estas coi-sas no mundo, para que tenham
gozo em si mesmos. 47 Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque
não são do mundo, como eu também não sou do
mundo. 48 Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do
mal (Jo 17,13-15). 49 Glorifica- os na verdade. 50 Tua palavra é
verdade. 51 Como tu me enviaste ao mun-do, também eu os enviei
ao mundo. 52 E por eles santifico a mim mesmo, para que eles sejam santificados
na verdade. 53 Não rogo por eles somente, mas também por
aqueles que vão crer em mim por causa da palavra deles (cfr. Jo
17, 17-20), para que sejam consumados na unidade, para que o mundo conheça
que tu me enviaste e os amaste, como me amaste (Jo 17,23). 54 E os farei
conhecer teu nome, para que o amor com que me amaste esteja ne-les e eu
neles (cfr. Jo 17,26). 55 Pai, os que me deste, quero que onde eu estou
também eles estejam comigo, para verem a tua claridade (Jo 17,24)
no teu reino. Amém. |
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XXIII: ORATIO
ET GRATIARUM ACTIO |
XXIII: ORAÇÃO
E AÇÃO DE GRAÇAS |
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1 Omnipotens, sanctissime,
altissime et summe Deus, Pater sancte (Joa 17,11) et iuste, Domine rex
caeli et terrae (cfr. Mt 11,25), propter temetipsum gratias agimus tibi,
quod per sanc-tam voluntatem tuam et per unicum Filium tuum cum Spiritu
Sancto creasti omnia spiritualia et corpo-ralia et nos ad imagi-nem tuam
et similitu-dinem factos in paradiso posuisti (cfr. Gen 1, 26). 2 Et nos
per culpam nostram cecidi-mus. 3 Et gratias agimus tibi, quia sicut per
Filium tuum nos creasti, sic per sanctam dilectionem tuam, qua dilexisti
nos (cfr. Joa 17,26), ipsum verum Deum et verum ho-minem ex gloriosa semper
Virgine beatis-sima Sancta Maria nasci fecisti et per cru-cem et sanguinem
et mortem ipsius nos captivos redimi voluisti. 4 Et gratias agimus tibi,
quia ipse Filius tuus venturus est in glo-ria maiestatis suae mittere
maledictos, qui poenitentiam non egerunt et te non cognoverunt, in ignem
aeternum, et dicere omnibus qui te cog-noverunt et adoraverunt et tibi
servierunt in poenitentia: Venite, benedicti Patris mei, percipite regnum,
quod vobis paratum est ab origine mundi (cfr. Mt 25, 34). 5 Et quia nos
omnes miseri et pecca-tores non sumus digni no-minare te, suppli-citer
exoramus, ut Dominus noster Jesus Christus Filius tuus dilectus, in quo
tibi bene complacuit (cfr. Mt 17,5), una cum Spiritu Sancto Paraclito
gratias agat tibi, sicut tibi et ipsi placet, pro omnibus, qui tibi semper
sufficit ad omnia, per quem nobis tanta fecisti. Alleluia. 6 Et gloriosam
matrem beatissimam Mariam semper Virginem, beatum Mi-chaelem, Gabrielem
et Raphaelem et om-nes choros beatorum seraphim, cherubim, thronorum,
dominationum, principatum, potestatum, virtutum, angelorum, archan-gelo-rum,
beatum Joannem Baptistam, Joannem Evangelistam, Pe-trum, Paulum et beatos
patriarchas, prophetas, Inno-centes, apostolos, evangelistas, discipulos,
martyres, confessores, vir-gines, beatos Eliam et Enoch, et omnes sanctos,
qui fue-runt et erunt et sunt, propter tuum amorem humiliter deprecamur,
ut, sicut tibi placet, pro his tibi gratias referant summo vero Deo, aeterno
et vivo, cum Filio tuo carissi-mo Domino nostro Jesu Christo et Spiritu
Sancto Paraclito in saecula saeculorum (Apoc 19,3). Amen. Alleluia (Apoc
19, 4). 7 Et Domino Deo universos intra sanc-tam ecclesiam catholicam
et apostolicam servire volentes et omnes sequentes ordi-nes, sa-cerdotes,
diaconos, subdiaconos, a-colythos, exorcistas, lecto-res, ostiarios et
omnes clericos, universos religiosos et reli-giosas, omnes conversos et
parvulos, pau-peres et egenos, reges et principes, labo-rantes et agricolas,
servos et dominos, om-nes virgines et continentes et maritatas, laicos,
masculos et femi-nas, omnes infan-tes, adolescentes, iuvenes et senes,
sanos et infirmos, omnes pusillos et magnos, et omnes populos, gentes,
tribus et linguas (cfr. Apoc 7,9), omnes nationes et omnes ho-mines ubicumque
terrarum, qui sunt et erunt, humiliter roga-mus et supplicamus nos omnes
fratres minores, servi inutiles (Lc 17, 10), ut omnes in vera fide et
poeni-tentia perseveremus, quia ali-ter nullus salvari potest. 8 Omnes
diligamus ex toto corde, ex tota anima, ex tota mente, ex tota virtute
(cfr. Mc 12,30) et fortitudine (cfr. Mc 12,33), ex toto intellectu, ex
omnibus viribus (cfr. Lc 10,27), toto nisu, toto affectu, totis vis-ceribus,
totis desideriis et voluntatibus Dominum Deum (Mc 12,30 par.), qui totum
corpus, totam ani-mam et totam vi-tam dedit et dat omnibus nobis, qui
nos crea-vit, redemit et sua sola misericordia salvabit (cfr. Tob 13,5),
qui nobis misera-bilibus et miseris, putridis et foetidis, in-gratis et
malis omnia bona fecit et facit. 9 Nihil ergo aliquid aliud desideremus,
nihil velimus, nihil aliud placeat et de-lectet nos nisi Creator et Redemptor
et Salvator noster, solus verus Deus, qui est plenum bonum, omne bonum,
totum bo-num, verum et summum bonum, qui solus est bonus (cfr. Lc 18,19),
mitis, suavis et dulcis, qui solus est sanctus, iustus, verus, sanctus
et rectus, qui solus est benig-nus, innocens, mundus, a quo et per quem
et in quo (cfr. Rom 11,36) est omnis venia, omnis gratia, omnis gloria
omnium poe-nitentium et iustorum, omnium beatorum in caelis congaudentium.
10 Nihil ergo impediat, nihil interpolet; 11 ubique nos omnes omni loco,
omni hora et omni tempore, quotidie et continue cre-damus veraciter et
humiliter et in corde teneamus et amemus, honoremus, adore-mus, serviamus,
laude-mus et benedica-mus, glorificemus, et superexaltemus, magnifi-cemus
et gratias agamus altissimo et summo Deo aeterno, tri-nitati et unitati,
Patri et Filio et Spiritui Sancto, creatori om-nium et salvatori omnium
in se cre-dentium et sperantium et diligentium eum, qui sine initio et
sine fine immutabilis, invi-sibilis, inenarrabilis, ineffabilis, in-comprehensibilis,
investiga-bilis (cfr. Rom 11,33), benedictus, laudabilis, gloriosus, su-perexaltatus
(cfr. Dan 3,52), sublimis, excelsus, suavis, ama-bilis, delectabilis et
totus super omnia desiderabilis in saecula. Amen. |
1 Onipotente, santíssimo,
altíssimo e sumo Deus, Pai santo (Jo 17,11) e justo, Senhor rei
do céu e da terra (cfr. Mt 11,25), por ti mesmo te damos graças,
porque por tua santa vontade e por teu único Filho com o Espírito
Santo criaste todas as coi-sas espirituais e corporais e nós, feitos
à tua imagem e semelhança, colocaste no paraíso (cfr.
Gn 1,26). 2 E nós caímos por nossa culpa. 3 E te damos graças
porque, assim co-mo por teu Filho nos criaste, assim por teu santo amor,
com que nos amaste (cfr. Jo 17,26), fizeste que ele, verdadeiro Deus e
verdadeiro homem, nascesse da gloriosa sempre virgem beatíssima
Santa Maria, e quiseste que nós, cativos, fôssemos redi-midos
por sua cruz e sangue e morte. 4 E te damos graças porque o teu
pró-prio Filho virá na glória de sua majestade para
colocar no fogo eterno os malditos que não fizeram penitência
e não te co-nheceram, e dizer a todos que te conhe-ceram e adoraram
e te serviram na peni-tência: Vinde, benditos de meu Pai, recebei
o reino, que está preparado para vós desde a origem do mundo
(cfr. Mt 25,34). 5 E porque todos nós, miseráveis e pe-cadores,
não somos dignos de te nomear, imploramos suplicantes que nosso
Senhor Jesus Cristo, teu Filho dileto, em quem bem te comprazeste (cfr.
Mt 17,5), junto com o Espírito Santo Paráclito te dê
graças, como agrada a ti e a ele, por todos, ele que sempre te
basta para tudo, por quem tantas coisas nos fizeste. Alelúia. 6
E a gloriosa mãe beatíssima Maria sempre Virgem, o bem-aventurado
Mi-guel, Gabriel e Rafael e todos os coros dos bem-aventurados serafins,
querubins, tronos, dominações, principados, potesta-des,
virtudes, anjos, arcanjos, o bem-aven-turado João Batista, João
Evangelista, Pe-dro, Paulo e os bem-aventurados patriar-cas, profetas,
Inocentes, apóstolos, evan-gelistas, discípulos, mártires,
confessores, virgens, bem-aventurados Elias e Eno-que, e todos os santos,
que foram e serão e são, por teu amor humildemente pedi-mos,
que, como te agrada, por essas coisas te dêem graças, sumo
Deus verdadeiro, eterno e vivo, com teu Filho caríssimo nosso Senhor
Jesus Cristo e o Espírito Santo Paráclito nos séculos
dos séculos (Ap 19,3). Amém. Alelúia (Ap 19,4). 7
E a todos os que querem servir ao Senhor Deus dentro da santa Igreja cató-lica
e apostólica, e a todas as ordens se-guintes: sacerdotes, diáconos,
subdiáco-nos, acólitos, exorcistas, leitores, ostiários
e a todos os clérigos; e a todos os religio-sos e religiosas; a
todos os conversos e postulantes, pobres e necessitados, reis e príncipes,
trabalhadores e agricultores, servos e senhores; todas as virgens e con-tinentes,
e casadas; leigos, homens e mu-lheres, todas as crianças, adolescentes,
jo-vens e velhos, sãos e enfermos, todos os pequenos e grandes,
e todos os povos, gentes, tribos e línguas (cfr. Ap 7,9), to-das
as nações e todos os homens de qual-quer lugar da terra,
que são e serão, pedi-mos humildemente e suplicamos, nós,
to-dos os frades menores, servos inúteis (Lc 17,10), que todos
perseveremos na verda-deira fé e penitência, porque de outra
ma-neira ninguém pode salvar-se. 8 Amemos todos com todo coração,
com toda alma, com toda mente, com toda força (cfr. Mc 12,30) e
fortaleza (cfr. Mc 12, 33), com todo entendimento, com todas as forças
(cfr. Lc 10,27), todo esforço, todo afeto, todas as entranhas,
todos os desejos e vontades o Senhor Deus (Mc 12,30 par.), que nos deu
e nos dá a nós todos todo o corpo, toda a alma e toda a
vida, que nos criou, remiu e só por sua misericórdia vai
salvar (cfr. Tb 13,5), que a nós miseráveis e míseros,
pútridos e fétidos, ingratos e maus, fez e faz todo bem.
9 Nada mais, portanto, desejemos, na-da mais queiramos, nada mais nos
agrade e deleite a não ser o Criador e Redentor e Salvador nosso,
único verdadeiro Deus, que é o pleno bem, todo bem, o bem
intei-ro, verdadeiro e sumo bem, que só ele é bom (cfr.
Lc 18,19), manso, suave e doce, que só ele é santo, justo,
verdadeiro, santo e reto, que só ele é benigno, inocente,
puro; de quem e por quem e em quem (cfr. Rm 11,36) é todo perdão,
toda graça, toda glória de todos os penitentes e justos,
de todos os bem-aventurados que gozam juntos no céu. 10 Nada, pois,
impeça, nada se inter-ponha; 11 em toda parte nós todos
em todo lugar, em toda hora e em todo tempo, to-dos os dias e continuamente
creiamos ve-raz e humildemente e tenhamos no cora-ção e
amemos, honremos, adoremos, sir-vamos, louvemos e bendigamos, glorifi-quemos,
e sobre-exaltemos, magnifique-mos e demos graças ao altíssimo
e sumo Deus eterno, trindade e unidade, Pai e Fi-lho e Espírito
Santo, criador de tudo e sal-vador de todos que nele crêem e esperam
e o amam, que sem início e sem fim imutável, invisível,
inenarrável, inefável, incompreensível, inescrutável
(cfr. Rm 11,33), bendito, louvável, glorioso, sobre-exaltado (cfr.
Dn 3,52), sublime, excelso, suave, amável, deleitável e
todo mais de-sejável do que todas as coisas pelos sécu-los.
Amém. |
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CONCLUSIO |
CONCLUSÃO |
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1 In nomine Domini! Rogo
omnes fra-tres, ut addiscant tenorem et sensum eo-rum quae in ista vita
ad salvationem ani-mae nos-trae scripta sunt et ista frequenter ad memoriam
reducant. 2 Et exoro Deum, ut ipse, qui est om-nipotens, trinus et unus,
benedicat omnes docentes, discentes, habentes, recordantes et operantes
ista quoties repetunt et faciunt quae ibi ad salutem animae nostrae scripta
sunt, 3 et deprecor omnes cum osculo pe-dum, ut multum diligant, custodiant
et re-ponant. 4 Et ex parte Dei omnipotentis et domi-ni papae et per obedien-tiam
ego frater Franciscus firmiter praecipio et iniungo, ut ex his, quae in
ista vita scripta sunt, nullus minuat vel in ipsa scriptum aliquod desuper
addat (cfr. Deut 4,2; 12,32) nec aliam regulam fratres habeant. 5 Gloria
Patri et Filio et Spiritui Sancto, sicut erat in principio et nunc et
semper et in saecula saeculorum. Amen. |
1 Em nome do Senhor!
Rogo a todos os meus frades que aprendam o teor e o sentido das coisas
que estão escritas nesta vida para salvação de nossa
alma e que freqüentemente as tragam à memória. 2 E
imploro a Deus que ele, que é onipotente, trino e uno, abençoe
todos os que ensinam, aprendem, conservam, re-cordam e praticam estas
coisas todas as ve-zes que repetem e fazem o que aí está
es-crito para salvação de nossa alma, 3 e rogo a todos com
o ósculo dos pés, que as amem muito, guardem e conservem.
4 E da parte de Deus onipotente e do senhor papa e por obediência,
eu, Frei Francisco, mando firmemente e imponho que das coisas que estão
escritas nesta vi-da, ninguém suprima ou lhes acrescente al-gum
escrito nela mesma (cfr. Dt 4,2; 12, 32) nem os frades tenham outra regra.
5 Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era
no princípio e agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Amém. |
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